terça-feira, 1 de maio de 2018

SINALIZAÇÃO NA MAQUETE - PARTE 02 - LINHAS PRINCIPAIS

Olá Amigos!

Continuando o que vimos no artigo anterior sobre sinalização em maquetes, Vamos falar agora um pouco sobre sinalização em linha. 
Na nossa conversa anterior, usamos um sistema de sinalização em pátios que servia apenas para indicar ao operador que determinada linha estava energizada ou não. 
Se quisermos um pouco mais de realismo em nossas maquetes, esse tipo de sinalização não serve para ser utilizada em linhas principais. Vamos ter que desenvolver um sistema diferente para tal, então agora, ao falarmos da linha principal temos, que usar uma abordagem um pouco diferente pois, no nosso caso, a linha principal estará normalmente energizada e aquela abordagem não se sustenta mais.
O que queremos sinalizar na linha principal? 
1- Há um trem em nossa linha?
2- Há um outro trem em direção contrária?
3- Há algum outro obstáculo à nossa frente?
Creio que essas  três perguntas já são suficientes para termos um sistema de sinalização bem realístico, mesmo que simulado. Vamos tentar respondê-las.

HÁ UM TREM EM NOSSA LINHA PRINCIPAL? 
Como podemos responder isso?
Em uma maquete pequena, basta olharmos para a maquete que veremos nosso trem andando pela linha principal, mas em uma maquete maior, podem haver locais em que não podemos fazer isso e então, seria interessante termos um sistema que nos pudesse sinalizar onde está o nosso trem. Com isso um grande leque de possibilidades nos é aberto e assim podemos criar um sistema de sinalização bem realístico.
Para sabermos onde está o nosso trem em uma linha, devemos construir um Detetor de Ocupação
Isso pode ser apenas os nossos olhos, bem como pode ser uma série de chaves que vamos acionando a medida que o nosso trem avança pela maquete, como também pode ser um circuito eletrônico que faça isso por nós, mas também pode ser uma barra metálica.
STAFF - Nas ferrovias reais, a malha é sempre dividida em blocos e conforme os trens passam de um bloco para o outro isso é sinalizado para os controladores de tráfego, que sabem a cada momento onde estão os trens.
Com a linha dividida em blocos, por medida de segurança, somente um trem pode estar ocupando um determinado bloco, a cada tempo e isso era feito de estação em estação. 
Um trem não podia seguir adiante, depois de uma estação, sem que um sinalizador, trazido ou levado por outro trem, entrasse em uma máquina que existia na estação adiante. 
Todos, ou muitos de nós, já devemos ter ouvido falar do famoso Staff
A barra metálica que pode ser vista na foto ao lado é o Staff. O objeto em couro que o envolve é um arco usado para entregar o Staff com o trem em movimento. O chefe de tráfego se posiciona a beira da linha com o arco na mão e o condutor do trem o segura sem necessidade de uma parada do do trem que ele conduz.
Pois bem, o Staff era uma ferramenta que era entregue ao condutor de um trem em uma estação para que fosse levada até a estação seguinte, onde era recebida pelo chefe desta estação e então colocada em uma máquina (ao lado/abaixo), a Máquina de Staff. 
Essa máquina era interligada eletricamente à estação anterior e esta somente liberava um novo Staff se aquele recebido pela estação seguinte, fosse colocado na máquina daquela estação. Enquanto isso não acontecesse, a máquina na estação anterior não liberava um novo Staff. Somente assim os trens podiam seguir andando com segurança pelos trilhos. 
Um exemplo disso, já aconteceu comigo quando viajava de carro por uma estrada com um longo trecho em obras e em regime de mão única.
Um trabalhador, ocupado em controlar o tráfego no trecho em obras, libera o trecho para um certo número de carros e entregava, ao último carro liberado, um sinalizador que pode ser um objeto qualquer combinado de antemão (normalmente um toco de madeira) e este deve ser entregue ao controlador de tráfego ao final do trecho em obras. Quando este recebe o sinalizador, ele sabe que não há outro carro vindo a direção contrária e então libera os carros para que sigam pelo trecho até que o último a entrar no trecho recebe novamente o sinalizador, para ser entregue ao controlador do outro lado. Assim, com segurança os carros podem ocupar o trecho sabendo que não haverá acidentes. 
O Staff funciona de maneira semelhante. Sempre que houver um Staff em trânsito, nenhum outro pode ser liberado nas estações para ocupar o mesmo trecho. 
O trem na figura acima, ao passar pela estação (A), deixou o Staff que recebeu na estação anterior e recebeu um novo Staff que foi liberado pela estação (B). Com esse Staff, ele pode ocupar o trecho A-B até chegar a estação (B), quando deverá deixar o Staff, recebido em (A) e receber um novo Staff para poder ocupar o trecho B-C e assim por diante até chegar ao seu destino. 
Se ainda houver um trem ocupando o trecho B-C, ou seja, o trem no trecho B-C ainda não chegou a estação (C), o trem no trecho A-B não poderá ultrapassar a estação (B), pois a estação (C) não poderá liberar a máquina de Staff da estação (B) para liberar um novo Staff.
Como normalmente as estações têm pátios, assim que um trem chega a estação, outro trem em uma determinada direção pode ser liberado, mas nunca quando o trem estiver andando pelo trecho.
Podemos dizer que o Staff funciona como um Detetor de Ocupação, já que ele sinaliza quando um trecho está ocupado. 
Atualmente o Staff, a não ser em linhas muito pequenas, deve estar em desuso, pois normalmente as ferrovias são sinalizadas eletronicamente e com o advento do GPS, o centro de controle sabe exatamente onde seus trens se encontram durante o seu trajeto.
Vamos falar sobre Detetores de Ocupação mais tarde, quando terminarmos de definir como sinalizar algumas situações que podemos encontrar na operação da nossa maquete.

HÁ UM OUTRO TREM EM DIREÇÃO CONTRÁRIA?
Imaginemos que em nossa maquete queremos operar dois trens ao mesmo tempo, um em cada direção. 
Quando na era do sistema DC, isso era um pouco mais difícil de fazer, mas hoje com o sistema DCC, já plenamente difundido, é muito fácil que essa situação possa ocorrer, mas dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo (Lei da Impenetrabilidade), então como podemos fazer isso funcionar (ver figura abaixo).
Primeiramente vamos pensar em uma maquete simples, com uma linha singela e dois pátios de ultrapassagem, com apenas um controlador (DC ou DCC - funciona também), como na figura acima.
Para fazermos a sinalização, podemos usar as técnicas descritas no artigo anterior, com chaves DPDT, chaves rotativas ou até mesmo chaves simples comandando a sinalização dos pátios. 
Com apenas um controlador, só um trem poderá andar pela maquete a cada tempo, parando nos pátios de ultrapassagem para que o outro trem possa circular na sua vez. É muito simples e muito fácil de implementar.
Note que essa é a situação que descrevi no artigo anterior quando construí o pátio de ultrapassagem na Maquete da Fábrica, um pátio de ultrapassagem onde um trem espera o outro, aguardando sua vez de circular pela maquete. A diferença está no sistema de sinalização que, naquele caso foi mais elaborado e não está descrito nesse esquema.
Já em uma maquete maior, ou grande, com vários operadores, ainda no sistema DC isso também poderia acontecer bem facilmente. Imaginem a maquete do esquema acima, porém agora com dois trens circulando ao mesmo tempo com dois operadores diferentes, mas ainda no sistema DC (ver figura abaixo)



Isso é a chamada Operação por Cabine.
Nesse tipo de operação, a maquete era dividida em vários blocos e cada um desses blocos eram alimentados por controladores diferentes que podiam ser selecionados pelos operadores na condução de seus trens. 
Ao chegar ao final de um trecho, normalmente um pátio, o operador de um trem, de comum acordo entre os demais operadores, ligava o trecho seguinte a seu controlador e dali em diante ele seguia com seu trem até o próximo pátio, onde poderia ser feita a ultrapassagem entre os trens. 
Devemos observar os seguintes pontos:
1 - O número de controladores deve ser igual ao número de trens ou operadores a circular pela maquete ao mesmo tempo.
2 - Podemos ter mais trens que controladores, porém os excedentes ao número de controladores deverão ficar estacionados em pátios de estacionamento aguardando sua vez de circular.
3 - Do mesmo jeito, podemos ter mais pátios que o número de controladores. Nesse caso mais de um trem poderá circular pela maquete, ao mesmo tempo, até ser necessário fazer a ultrapassagem em um pátio.
4 - Os pátios podem ter o número de linhas que forem desejados, porém as chaves de seleção de cada pátio deverão ter o número de posições quantos forem o número de linhas.
5 - É conveniente que cada pátio tenha uma chave Liga/Desliga (não mostrada no desenho).
Eletricamente isso pode vir a ser uma maluquice, mas é muito possível de ser feito. 
Com chaves rotativas e chaves Liga/Desliga é possível implementarmos o circuito, bastando apenas desvendar a lógica do circuito e, com muita, muita paciência mesmo, construirmos o circuito. Também podem ser usados circuitos digitais em lugar da chaves. Cada um com o que mais lhe convier.

HÁ ALGUM OUTRO OBSTÁCULO À NOSSA FRENTE?
Sempre há, não? Estamos tranquilamente andando com o nosso trem em nossa maquete e na nossa frente surge um desvio, ligando a nossa linha a um pátio. 
Como sinalizar isso? Qual o procedimento a ser adotado?
Eu não me considero um expert em sinalização real, mas escutando uma coisa aqui, outra coisa ali, lendo algo na Internet, ou em alguma revista e raciocinando um pouco, consegui juntar uma quantidade de informação que me guia nessa minha proposta de sinalização em maquetes. 
Segundo a 1º Lei de Newton, ou Lei da Inércia, um objeto em movimento, continuará em movimento retilíneo e uniforme até que uma força atue sobre ele. Do mesmo modo um objeto em repouso, continuará em repouso, até que alguma força atue sobre ele, então, em uma linha reta, é fácil conduzir o trem, mas quando chega em uma curva a coisa muda um pouco. 
Numa curva não podemos ir com muita velocidade, pois há o risco de descarrilamento e quando encontramos um desvio, há sempre uma reta e uma curva e para fazermos essa curva, temos que tomar alguns cuidados e assim, quando encontramos um desvio pela frente, isso deve ser sinalizado.
É muito difícil encontrarmos literatura sobre isso na Internet (quem souber onde, pode me informar - eu agradeço), então eu vou usar um pouco do que já li e ouvi e criar uma sinalização que me satisfaça nessa situação. 
Já observei que antes de um desvio normalmente se colocam dois sinais (um sobre o outro), um sinalizando a linha reta (o de cima) e outro sinalizando a linha curva (o de baixo). Vamos falar agora sobre a linha curva. Sobre a linha reta vamos falar mais adiante.
Essa é uma situação em que devemos conjugar o sinal com a posição do desvio. Dependendo da posição do desvio, se virado para a linha curva, deveremos observar o sinal de baixo e este não deve ter a luz verde, pois a luz verde sinaliza uma linha sem restrição e não é o caso. Se  e o desvio estiver virado para a curva, ele deverá apresentar luz amarela, ou se estiver virado para a reta, luz vermelha, o que significa que nosso caminho é a linha reta (principal), então o sinal superior será o dominante e nosso procedimento deverá ser o mesmo que adotaríamos se estivéssemos na linha principal.
No artigo anterior, citando exemplo ainda na Maquete da Fábrica, falei sobre um desvio dentro de um túnel e ressaltei que a entrada C seria comentado mais tarde. 

A sinalização desse caso se enquadra no tópico que estamos falando agora, quando encontramos a entrada de um desvio a nossa frente. No caso, a máquina Tortoise e suas chaves internas controlam os sinais nas estrada A e B, mas na estrada C, vamos usar a chave que aciona o motor do Tortoise para mudar o sinal na entrada do desvio. Quando o Tortoise (S2) acionar o desvio para a linha reta, a chave S1 fará o sinal apresentar a luz vermelha para a entrada do desvio, mas quando o Tortoise (S2) acionar o desvio para a linha curva, S1 fará o sinal apresentar a luz amarela.
A parte de cima do sinal duplo, será abordada no tópico a seguir.

SINALIZAÇÃO NA LINHA PRINCIPAL - Trafegando pelas linhas de uma ferrovia real, há sempre regras a serem seguidas. Linha livre, linha ocupada, restrição de velocidade, locais onde o trem deve apitar, e por aí vai. Algumas dessas situações são sinalizadas por placas, mas a ocupação das linha é sinalizada por sinais luminosos. O que nos interessa é sinalizar se a linha está livre ou não e acrescentar sinalização com placas é mais um meio de incrementar o realismo de nossa maquete.
Como vamos poder saber se a linha está livre a nossa frente para podermos manter a nossa velocidade? 
Será que não há um trem parado a nossa frente? 
Há um trem vindo em direção contrária, ou mesmo indo na mesma direção mas com velocidade menor que a nossa? 
Como sinalizar isso?
Como já disse mais cedo, nas ferrovias reais, a linha é dividida em blocos e na entrada de cada um desses blocos há um sinal indicando o estado da linha, se livre, com restrição ou ocupada, então devemos projetar nosso sistema de sinalização para simular isso. 
Voltemos ainda à divisão por blocos nas ferrovias reais.
Como o Centro de Controle pode saber que há um trem ocupando um determinado bloco de uma ferrovia? 

Um dos métodos que são usados é pelos trilhos. Sim, pelos trilhos. Entre os dois trilhos da ferrovia há uma tensão (tensão elétrica) que é monitorada por painéis ao longo da via. Quando a linha está livre não há corrente circulando entre os trilhos (ou há uma corrente circulado, mas dentro de um valor considerado como sendo o sinal de linha desocupada. 
Os rodeiros dos trens, diferentemente dos rodeiros de nossos modelos, tem uma roda ligada eletricamente à outra pelo eixo, formando um circuito contínuo (um curto circuito - nos modelos em escala mais normais, uma roda é isolada da outra, a não ser nos modelos de 3 trilhos (Marklin e outros mais antigos) em que os rodeiros também não são isolados um do outro).
Quando um rodeiro liga um trilho ao outro, uma corrente passa fluir pelo sistema e isso é tomado como um sinal de que aquele trecho está ocupado e um painel de controle, automaticamente, indica a sinalização adequada para o momento. Assim que a primeira roda do trem entra em um bloco, isso é bastante para o sistema saber que aquele bloco está ocupado. Como todos os rodeiros são interligados lado a lado, até que o último rodeiro deixe aquele trecho, a sinalização de linha ocupada estará presente. No nosso caso, como os rodeiros de nossos modelos são isolados entre si, teremos que pensar em como resolver esse problema, do qual falaremos mais adiante.
Esse sistema de detecção, pode até já estar em desuso nos dias de hoje, devido aos avanços da Informática e os sistemas de navegação por satélite, mas em algum tempo da história a coisa funcionava desse jeito e pode ainda estar funcionando.
Por mais longo que seja um bloco e por mais curto que seja o trem, haverá um momento em que um trem estará ocupando dois blocos ao mesmo tempo, pois a locomotiva já terá passado o sinal, mas o resto do trem, os vagões ou carros, ainda estarão ocupando o bloco anterior, até que todo o trem tenha passado o sinal, quando então o bloco anterior poderá ser considerado como estando livre.
Do mesmo modo, os trens normalmente são máquinas longas e pesadas e, citando novamente a primeira Lei de Newton, "um corpo continuará em movimento uniforme até que uma força atue sobre ele", ao aplicarmos uma força para parar o nosso trem (frenagem), ele não o fará de imediato e dependendo da velocidade, precisará de algumas centenas de metros ou quilômetros, até que possamos pará-lo totalmente e ao nos depararmos com um sinal vermelho pela frente e iniciarmos a frenagem do nosso trem, é possível que o final do trem a nossa frente esteja nos esperando uma curva pouco depois do sinal. 
Por essa razão, sempre deve haver dois blocos vazios entre dois trens, sendo um ostentando o sinal verde (livre), no qual poderemos exercer a velocidade adequada para aquele trecho e um outro bloco, se for o caso, com restrição (luz amarela), no qual deveremos adotar um regime de frenagem e de velocidade restrita, pois a frente desse poderá haver um bloco ocupado (sinal vermelho - ver figura acima). Não havendo nenhum trem a nossa frente, todos os sinais deverão apresentar luz verde (livre).
Resumindo a estória. 
- Um trem poderá ocupar dois blocos ao mesmo tempo (sinal vermelho nos dois blocos). 
- Antes de um sinal vermelho sempre haverá um bloco vazio, mas com restrição de velocidade (luz amarela). 
- Por fim, antes da luz amarela, haverá um ou mais blocos vazios, livres (luz verde), onde poderemos exercer a velocidade adequada para aquele bloco.
Então, já temos todas as condições para projetarmos o nosso sistema de sinalização, mas o artigo está ficando longo demais, então vamos encerrar essa parte por aqui e continuarmos em um novo artigo quando falaremos especificamente de Detetores de Ocupação. 

Por enquanto é só, Amigos. 
Espero que tenham gostado e que o artigo acima possa lhes ser útil de alguma forma. 
As ideias aqui apresentadas são apenas a minha concepção de como deve ser um sistema de sinalização para a maquete. Havendo alguma outra ideia a respeito de algum tópico, ou até mesmo erros sobre como abordei algum assunto, por favor me escrevam diretamente (j.oscar03@terra.com.br) ou deixem seus comentários ao final do Blog.

Saudações


J.Oscar

sexta-feira, 20 de abril de 2018

SINALIZAÇÃO NA MAQUETE - PARTE 01 - PÁTIOS

Olá, Amigos!

Andei relendo minhas publicações mais antigas e em uma delas e prometi fazer um artigo sobre Sinalização em Maquetes Ferroviárias, mas por vários problemas não pude, até hoje, cumprir essa promessa. 
Vamos ver se agora eu pago essa promessa.
Apesar de não ser impossível, é muito difícil implantarmos um sistema de sinalização realístico em nossas maquetes. Com a informática e o sistema DCC e também para o sistema DC, é possível comprar programas de sinalização que simulam até mesmo sistemas existentes na ferrovias reais para colocar em uma maquete, mas para nós aqui no Brasil e no sistema DC, não creio que seja, ao menos, necessário, por um simples motivo.
Tudo que fazemos ao construir uma maquete ferroviária é simular uma realidade. Nossas casas são ocas por dentro, nossas figuras humanas e veículos que andam pelas ruas não se mexem, nosso cenário é composto de gesso, papelão, flocos de borracha e plástico, então por que não fazermos um sistema de sinalização que simule, o máximo possível, um sistema realista, mesmo não operando de maneira plena. 
Não há uma necessidade tão grande de um sistema de sinalização realista em uma maquete nas dimensões das que normalmente temos por aqui, a não ser que seja uma maquete muito grande, em um clube, com vários operadores e e que se proponha a sessões de operações realistas.  
Não é um assunto simples, nem minha proposta encerra o assunto, pois cada um tem sua visão sobre o mesmo e, além do mais, hoje em dia, temos o DCC e isso é mais um complicador e talvez seja por isso que muito poucos não colocam um sistema de sinalização real, ou até mesmo simulado, em suas maquetes.
Vamos pensar primeiramente em uma maquete DC e depois vamos ver o que podemos fazer no sistema DCC.

MINHA PROPOSTA DE SINALIZAÇÃO NO SISTEMA DC

Quando penso na sinalização para o sistema DC, eu gosto de usar a sinalização para indicar, ao operador, se uma linha está livre ou não, além de dar um efeito decorativo a maquete que ficará mais completa. Na verdade é para isso que servem os sinais, nas ferrovias reais, sinalizar as condições de tráfego em uma via.

PÁTIOS - Principalmente em pátios, eu uso os sinais para indicar se a linha está energizada (sinal verde) ou desligada (sinal vermelho). 
Uso uma fonte separada do controlador principal para isso, então, mesmo com o controlador desligado (zerado), o sinal continuará indicando se a linha está livre (energizada - sinal verde) ou não (desligada - sinal vermelho). 
A fonte separada para sinalização, desvios e também para luzes, é importante pois dependendo da quantidade de desvios, sinais e luzes, o consumo de corrente fica muito grande e principalmente quando acionamos os desvios há sempre uma queda na tensão das luzes e estas normalmente piscam, portanto ao construirmos nossas maquetes devemos providenciar fontes separadas para cada uma dessas finalidades. Nada muito rebuscado, um transformador com a potência adequada, um ou dois diodos e a fonte já está construída (Ver exemplos acima).
Para implementarmos esse circuito de seleção basta usarmos uma chave DPDT (Double Pole, Double Throw - dois polos, duas posições), sendo que em um polo faremos a energização ou não do pátio e no outro polo faremos a seleção entre o sinal vermelho e verde do sinal, como mostrado na figura abaixo.
Para sinalização dos pátios, usaremos um sinal anão com duas luzes (vermelho e verde), seja com LED's ou Lâmpadas Coloridas com uma ligação comum entre as duas luzes (3 fios) associado a uma chave DPDT. 
Uma sessão da chave DPDT comandará a alimentação do trilho ligando e desligando o fio positivo que alimenta a linha. O trilho negativo estará ligado diretamente ao polo negativo do barramento de alimentação. A outra sessão da chave DPDT fará a seleção entre a luz vermelha e verde do sinal anão. 
Quando o trilho for alimentado, a luz verde estará acesa, do contrário a luz vermelha estará acesa.
Para que esse sistema funcione a contento os sinais deverão ser construídos com três fios, sendo um para a luz verde, outro para a luz vermelha e um terceiro para a junção das duas lâmpadas  ou LED's (comum). Sinais com apenas dois fios, que usam LED's contrapostos não funcionam nesse sistema. 
Esse arranjo também funciona para pontes sinaleiras, que acionam sinais no alto, mas sempre deverá haver um fio comum a todas a Lâmpadas ou LED's de cada sinal.
Note que a estrutura ao lado, aparentemente tem apenas dois fios para cada sinal, muito comum em nosso mercado, então ela deverá ser modificada com uma ligação comum entre as duas luzes para poder ser usada no nosso esquema. O mesmo acontece com sinais anões, mas nesse caso á mais fácil encontrar sinais anões com o arranjo de ligação de três fios.

LINHA PRINCIPAL (Casos Especiais) - Isso funciona muito bem no que tange aos pátios, mas quando se trata de linhas principais, a abordagem tem que ser diferente pois nas linhas principais tem trens em várias direções de tráfego, velocidades diferentes, então mesmo com a linha desenergizada, um trem pode ainda estar esperando uma indicação do sinal para prosseguir ou não, então o sistema de sinalização a ser adotado para esse tipo de linha, tem que ser muito mais elaborado e/ou planejado.
Muitos modelistas gostam de associar o acionamento do desvio a um sinal junto a ele, ou seja, quando o desvio está virado para a linha curva o sinal está vermelho e quando está para a linha reta, ele fica verde. 
Pode parecer lógico e até mais fácil, mas eu não gosto desse sistema. Para mim, os sistema de sinalização e o sistema de acionamento dos desvios devem ser independentes um do outro. Eu prefiro em um tempo acionar o desvio e em um segundo tempo acionar o sinal, só então liberando a linha para o trem que está a espera. 
Mesmo não sendo partidário desse sistema, em determinadas situações ele pode ser útil.

CASO ESPECIAL 01 - Na construção da Maquete da Fábrica, usei esse mesmo esquema na sinalização de um desvio que ficava escondido dentro de um túnel. O desvio ligava dois ramais independentes a uma terceira linha, formando um "Y" e ficava dentro de um  túnel. 
Saber para que lado o desvio estava virado era difícil então coloquei dois sinais de pedestal nas entradas dos túneis de modo que pudessem ser vistos do painel de controle. O desvio era acionado por uma máquina Tortoise. 
Como sabemos os Tortoise são dispositivos com um motor interno que aciona os desvios de maneira lenta e têm em seu mecanismo interno um par de chaves reversíveis (DPDT - Ver figura ao lado e abaixo). 
Usando-se essas chaves pode-se fazer alguns circuitos interessantes para usarmos na maquete.
No meu caso, quando o desvio estava acionado para uma determinada entrada, esta mostrava um sinal de pedestal com a luz verde acesa, enquanto na outra entrada, o sinal mostrava a luz vermelha, sinalizando para o operador que o desvio não estava posicionado para aquela entrada. 
Ao acionarmos a máquina Tortoise, esta acionava o desvio e suas chaves internas faziam a comutação entre as luzes, indicando para qual entrada o desvio estava alinhado. 
Do painel de controle da maquete, é possível observar os dois sinais e saber a real posição do desvio e então fazer a parada do trem, adequadamente, antes da entrada do túnel que ostentasse a luz vermelha.
Alguns poderão perguntar: E quanto a Entrada C, como seria sinalizada?

Este caso se enquadra em um novo tópico que iremos abordar mais tarde, muito provavelmente em um novo artigo. Me cobrem se não acontecer.

CASO ESPECIAL 02 - Em outro local da Maquete da Fábrica, eu construí um pátio de ultrapassagem, onde queria manter um trem longo, parado, enquanto um outro trem, vindo em sentido contrário ou não, pudesse fazer a ultrapassagem deste. As linhas seriam alimentadas por apenas um controlador DC, e a linha principal deveria mostrar o sinal verde inicialmente. Em seguida, eu teria que desligar a linha onde o trem estivesse estacionado, enquanto alimentava a linha onde se daria a ultrapassagem, porém, também queria que a linha onde o primeiro trem fosse estacionar ficasse alimentada, mas com o sinal indicando luz vermelha, para que o operador parasse o trem quando chegasse ao sinal. Depois que o trem parasse, a linha de ultrapassagem, seria alimentada, mas também com o sinal vermelho, para que o segundo trem também parasse no sinal. Finalmente, seria dado luz verde para o trem que fosse seguir em frente, seja na linha principal, seja na linha de ultrapassagem.
Parece complicado, não? Sim, parece, mas nem tanto. Vamos dar uma analisada no problema mais sistematicamente. Então temos:
-Linha principal ligada, com luz verde e linha de ultrapassagem desligada, com luz vermelha.
-Linha principal ligada, com luz vermelha e linha de ultrapassagem desligada, com luz vermelha.
-Linha principal desligada, com luz vermelha e linha de ultrapassagem ligada com luz vermelha.
-Linha principal desligada, com luz vermelha e linha de ultrapassagem ligada com luz verde.
Essas são as quatro situações que eu desejava, então eu precisava de uma chave com quatro posições e pelo menos um polo para ligar, ou não, a alimentação das linhas principal e paralela, mas ainda precisava fazer a lógica dos sinais, então necessitei de, pelo menos, mais 3 conjuntos de chaves (outros 3 polos - total de 4 polos - 4 posições) para ligação dos sinais (Veja o esquema abaixo).
Pela chave S1 eu faço  alimentação das linhas principal e paralela, somente dependendo do controlador DC. Nas posições 1 e 2 da chave S1, a linha principal é alimentada (só a linha principal) e nas posições 3 e 4, eu alimento a linha de ultrapassagem (só a linha de ultrapassagem), então com o sinal verde ou com o sinal vermelho as duas linhas podem receber o trem e o operador deverá providenciar a parada no sinal. Note que enquanto a linha principal etá alimentada, a linha de ultrapassagem está desligada.
Ao mesmo tempo, a chave S2, na posição 1, liga a lâmpada verde do sinal da linha principal, as chaves S3 e S4 mantêm a lâmpada vermelha da linha de ultrapassagem acesa. Quando a chave S2 passa para a posição 2, ela desliga a lâmpada verde da linha principal e liga a lâmpada vermelha da linha de ultrapassagem. Enquanto isso a chave S1 mantém a alimentação na linha principal. 
Quando a chave S1 chega à posição 3, ela alimenta a linha de ultrapassagem e desliga a alimentação da linha principal. 
A  chave S2 , posição 3, por sua vez,  mantém a lâmpada vermelha do sinal da linha de ultrapassagem acesa, enquanto as chaves S3 mantém a lâmpada vermelha da linha principal acesa e S4 mantém a lâmpada vermelha do sinal da linha paralela também aceso.  
Na posição 4 a chave S2 acende a lâmpada verde da linha paralela, a chave S3 mantém a lâmpada vermelha da linha principal acesa e a chave S4 sai do circuito.
Observe que não falei na posição ou acionamento dos desvios de entrada e saída do pátio. Isso vai depender do operador das locomotivas envolvidas na manobra. 
O operador é quem vai optar por qual linha ele fará a ultrapassagem, que tanto pode ser pela linha principal como pela paralela e para isso, ele deverá fazer as manobras necessárias nos desvios e também nos sinais.
Outra coisa importante é que esse pátio pode ser utilizado nos dois sentidos, então deverá haver um outro conjunto de sinais no outro extremo do pátio. O circuito de controle pode ser um só e basta fazer a ligação em paralelo dos sinais nas duas pontas do pátio. Observe também que os sinais devem ser do tipo de 3 fios e não de dois como é bastante comum encontrarmos em nosso mercado.
Tem pelo menos dez anos que projetei este circuito para a Maquete da Fábrica e pode ser que lógica empregada naquela época esteja diferente, mas o circuito funciona e mantém sua função.
Chaves rotativas, com vários polos e muitas posições são difíceis de serem encontradas nos dias de hoje (na época já foi bem difícil encontrar esta), mas uma outra maneira de implementarmos esse circuito é empregando circuitos lógicos. Não me perguntem como, pois lá se vão mais de quarenta anos que estudei esses circuitos e para lembrar de tudo novamente, muitas e muitas horas de estudos serão necessárias.
Esse é um caso em que podemos implementar a sinalização na linha de pátios e, em certos casos como o descrito acima também na linha principal e de nossas maquetes. 
O que alguns de vocês podem estar esperando é que eu fale sistemas de sinalização de tráfego na maquete, mas vou dar uma parada nesse texto, por enquanto e prometo voltar em breve com esse assunto, inclusive falando sobre DCC.

Espero que tenham gostado e que este artigo lhes possa ser útil de alguma maneira. 

Até uma próxima vez.

J.Oscar

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

QUE TAL TER UM CONTROLE WI-FI NA NOSSA MAQUETE DCC?

Olá Amigos!

Com o advento do sistema DCC uma série de facilidades nos foi disponibilizada e a adesão a essas facilidades foi total. Não se pode negar que há uma transição positiva entre o controle DC tradicional e o controle DCC, mas com toda tecnologia vem suas implicações e em muitos casos, adaptar-nos a ela é difícil, mas temos que seguir em frente e pelo menos curtir essas novas possibilidades.
Quem tem um controlador DCC tradicional sempre se deparou com a dificuldade que é ter um fio ligando o controle e mão (Throttle) a uma base perto da maquete. Por mais longo que seja esse ele sempre limitará a distância que poderemos chegar na maquete. 
Placas e Expansão MRC
Para contornar essa dificuldade, primeiramente criaram-se as estações remotas, placas de expansão, com conectores, distribuídas ao longo da maquete, onde o controlador de mão com seu cabo de ligação pode ser acoplado pelo usuário, de modo a se aproximar de uma região distante. No sistema DCC, depois que uma locomotiva/decoder recebe um comando, ela prosseguirá executando esse comando até que outro comando seja enviado então, podemos desligar o controlador da base e ligá-lo a uma dessas placas remotas sem que os trens deixem de funcionar e, a partir daí, volta-se novamente, a ter controle sobre os trens. Todos os fabricantes de controladores DCC fornecem essa opção, com mais ou menos sofisticação.
Com o tempo os fabricantes passaram a fornecer versões Wireless de seus controladores. O controle de mão, passou a ter uma ligação sem fio com a base, por meio de ondas de rádio, dispensando o uso de fios e cabos entre eles.
O cabo fornecido com o sistema Wireless serve mais para recarregar as baterias do controle de mão do que outra coisa, apesar de ainda poder funcionar conectado a base de controle.
Há quem pense que os comandos passam direto do controlador de mão para os decoders nas locomotivas, mas não, isso não acontece. O controle de mão, se comunica por ondas de rádio com a base do controlador e esta envia os comandos digitais por meio de fios ligados aos trilhos, como no sistema convencional com fio.
Todos os fabricantes mais conhecidos e tradicionais como a MRC, NCE, Digitraxx e Bachmann têm seu controle DCC Wireless, cada um mais ou menos sofisticados que o concorrente.
Existe um sistema tipo DCC em que a comunicação é dita ser feita diretamente entre o controle de mão e um módulo de rádio dentro da locomotiva. O módulo funciona como um decoder DCC, com todas as funções que se espera de um comando DCC e muitas outras utilidades próprias do sistema. 
O sistema se chama Rail Pro e é oferecido pela Ring Engineering (www.ringengineering.com/index.html) e parece ser bastante eficiente, de acordo com os vídeos de apresentação, mostrados no site do fabricante.  
Os fabricantes tradicionais de controladores DCC também oferecem acessórios para o seu controlador, como controles de mão avulsos, interfaces e placas de controles diversos. 
Você que tem um controlador DCC da MRC, pode comprar um controle de mão adicional com fio e ligá-lo a sua base e duas até três pessoas distintas podem controlar trens independentes na maquete, porém se com apenas um fio ligado à base já é incômodo operar um sistema DCC, imagine com dois ou mais fios ligados à mesma base. 
Para solucionar esse problema e a MRC lançou um adaptador Wireless para sua linha Prodige.

Kit de conversão Wireless
Por um preço mais em conta que um sistema totalmente Wireless você compra um controle de mão Wireless que vem com uma interface, que ligada a base MRC Prodige, permite um controle sem fio de sua maquete. A mesma interface permite que outros controladores de mão, também Wireless, funcionem com a mesma base. 
Esse controlador de mão, sem a interface, também é oferecido pela MRC, então, com uma mesma interface, vários controles de mão adicionais, podem ser usados com uma mesma base de controle.
Outros dois acessórios, também oferecidos pela MRC, são uma interface USB com fio e uma outra interface USB, sem fio, para ligarmos o nosso controlador DCC a um computador, o que nos permite uma série de novos recursos, como dois novos controladores (na tela do computador) que podem ser acessados baixando um programa direto da MRC e, por fim, para usarmos os recursos do JMRI que nos abrirá um leque ainda maior de possibilidades, como outros controles de mão adicionais no computador, ou a programação dos decoders direto pelo computador sem o uso da base e do controle de mão DCC.
O JMRI é um programa que nos permite interagir com os decoders sem necessidade de fazermos a programação deles com a base e o controle de mão do sistema. Através da tela do computador podemos calibrar, programar e modificar os parâmetros de um decoder.
É um programa livre e está disponível gratuitamente na Internet (http://jmri.sourceforge.net/) a quem se aventurar a trabalhar com ele.
Interfaces MRC com e sem fio
Minha experiência com o JMRI e o controlador MRC na calibração dos decoders, direto pelo computador, não foi muito proveitosa ainda, mas continuo estudando e testando o sistema para ver se consigo tirar dele todas as possibilidades que nos podem ser oferecidas. 
Mas existe uma facilidade que funcionou bastante bem comigo usando o JMRI e o MRC que é a possibilidade de controlar uma locomotiva usando o JMRI , o MRC e um telefone celular do tipo SmartPhone. 

MRC Wi-Fi
Usando um controlador DCC com uma interface USB, seja com fio ou sem fio, ligando-o ao seu computador e o JMRI, podemos controlar nossa locomotiva através de um telefone celular do tipo Smart Phone.
Seguindo as instruções que estão no JMRI para a sua marca de controlador DCC, um telefone celular e instalando-se um pequeno programa (que pode ser baixado gratuitamente na Play Store - Engine Driver (Android) ou AppStore - WiThrottle (IPhone)) podemos ter até três controladores Wireless pelo nosso celular , ou Tablet, controlando locomotivas em nossa maquete.
A primeira vista isso é bastante vantajoso, mas lembrem-se que ainda precisamos de um computador e uma interface USB que tem um custo e mesmo que seja relativamente mais baixo que um sistema DCC Wireless, ainda assim é um custo, sem contar o fato de que ainda precisaremos do computador para que o sistema funcione.
Porém, para os portadores do sistema MRC da linha Prodige, um novo acessório vem facilitar bastante a nossa vida.

MRC Wi-Fi

O que é isso?

O MRC Wi-Fi é um dispositivo que cria uma rede Wi-FI a partir de nosso controlador MRC Prodige que pode ser acessada pelo nosso telefone celular. 
A rede criada não dá acesso a Internet e não precisa nenhuma configuração adicional e só serve para ser usada pelo programa Engine Driver (Android) ou WiThrottle (IPhone). 
Basta conectar o dispositivo a uma das saídas do controlador MRC e ao ligá-lo, a rede é criada e está pronta para ser acessada pelo celular. Basta agora entrar na configuração de Wi-Fi do celular, localizar a rede MRCWi-Fi e conectar. Depois disso basta acessar o programa de controle Engine Driver (ou WiThrottle) e teremos até 3 controladores Wi-Fi pelo nosso celular. 
Depois disso, qualquer locomotiva DCC colocada na maquete será detectada pela rede e poderá ser controlada pelo telefone. Todos os botões de função (F0 a F28) estarão disponíveis para acesso, um controle deslizante de velocidade, teclas de seleção de direção (Forward e Reverse) e um botão de Parada de Emergência. 
A interface gráfica no telefone é totalmente reconfigurável, podendo-se usar um, dois ou três controladores no mesmo aparelho simultaneamente e ajustar valores de variáveis de configuração a interface, tais como a apresentação da velocidade em Porcetagem ou Steps, e vários outros parâmetros para um melhor entendimento.
Toda e qualquer modificação feita atravéz do JMRI se refletirá na tela do Engine Driver.
Por exemplo: Podemos reconfigurar os botões de função para que apresentem seus nomes em nosso idioma. Bell/Sino, Horn/Buzina e etc. Isso ficará gravado no decoder da locomotiva que for programada desse modo e ao acessarmos essa locomotiva, essas modificações se apresentarão também na tela do Engine Driver.
A segurança fica por conta de paradas automáticas se entrar uma ligação telefônica durante a operação e vários outros parâmetros. Pode-se usar até oito Smart Phones ou Tablets em uma mesma rede.
O acessório pode ser encontrado aqui no Brasil através da Brasil Hobbies (www.brasilhobbies.com.br) pelo custo de R$ 412,90 (392,25 a vista) ou pela Micromark (www.micromark.com) por US 79,95. Na Jim's Model Trains (www.jimsmodeltrains.com) está custando U$ 99,99 e na Model Train Stuff (http://www.modeltrainstuff.com) pelo custo de U$ 79,90.

Abaixo um vídeo mostrando como é simples usar o MRC WiFi em uma maquete.



Por enquanto é só, Amigos. Espero que tenha gostado dessa postagem e possam tirar proveito dela.

Até uma próxima vez.

J. Oscar

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

LEVANDO O HOBBY MUITO A SÉRIO

Olá Amigos!

Em 28/10/1997 faleceu um Grande Amigo. Seu nome era Itaí de Hollanda Cavalcante. 
Infelizmente foi eu a pessoa que descobriu seu falecimento e possivelmente a última pessoa  vê-lo vivo. Trabalhamos na maquete da sede da abpf (Cabine 3) aqui no Rio de Janeiro durante o sábado e no domingo anteriores e deixei-o em casa depois do trabalho, mas durante a semana seguinte, tentei várias vezes entrar em contato com ele pois fiquei preocupado com ele, por vários motivos. Como não consegui contata-lo, procurei sua atual companheira e fomos ao apartamento que ele ocupava no momento e quando conseguimos entrar, o encontramos já falecido, infelizmente!
O Itaí, apesar de seus vários problemas de saúde era um cara muito espirituoso e um Grande Modelista/Ferromodelista. 
Protético de profissão, usava seus conhecimentos profissionais para ajudá-lo no hobby, fazendo trabalhos primorosos no âmbito da confecção de modelos e detalhes ferroviários.
Nessa época, já havia uma grande discussão sobre escalas no ferromodelismo e sobre o conceito de "perfeitamente em escala" e graças a essa sua espirituosidade ele, em 1994, escreveu um artigo, muito bem humorado sobre o assunto, que foi publicado na Revista Centro Oeste nº 92 (1/12/1994) 
(http://vfco.brazilia.jor.br/ferreomodelismo.iniciar/serio.shtml) editado por seu "primo" e também nosso Grande Amigo, Flávio Roseiro Cavalcante (FRC).
Ontem, conversando com um Amigo, de repente me lembrei dele e mais tarde verifiquei que se aproximava a data do vigésimo aniversário de seu falecimento e em homenagem a ele e a nossa amizade, resolvi republicar seu artigo aqui neste nosso Blog. 

Aos que me seguem, espero que gostem.

LEVANDO O HOBBY MUITO A SÉRIO

Itaí Cavalcante
Centro-Oeste nº 92 - 1º-dez-1994
Estava eu tirando certa dúvida no dicionário, quando a curiosidade levou-me a pesquisar a palavra "modelismo":
"Reproduzir com exatidão, nos mínimos detalhes, em um determinado tamanho (escala)". 
Lembrei que sou um ferreomodelista, no mais puro significado da palavra. Então, perguntei-me:— Será que meus modelos estão realmente na escala?
Passei a mão no paquímetro, espessímetro, régua de cálculo, multi-teste digital, analógico, plantas do material rodante e da ferrovia modelada — enfim, tudo que me pudesse dar a certeza de o material ser realmente HO (1:87,085897), sem arredondar nada! Afinal, escala é escala.
Comecei pela maquete 1,50 x 2,10 metros, de grades com trilhos de latão, conferindo suas medidas de acordo com a ferrovia-protótipo.
Qual não foi a minha surpresa! Totalmente fora de escala, um verdadeiro absurdo. Me deu até taquicardia!
Passado o susto, recalculei tudo para iniciar nova maquete, e tratei de adquirir grades (Trilhos pré montados- NR) com trilhos "nickel-silver" — e isso, porque não encontrei trilhos de aço.
Minha maquete em escala começará na sala, pois a estação é um prédio majestoso, com suas devidas proporções.
Através da parede, abrirei uma passagem com um belo portal de túnel, devidamente modelado em pedra de mão.
Essa transição terá uma rampa em aclive de 1,5 grau, até chegar na altura do camiseiro do quarto e o espelho de parede.
Mais adiante, uma curva bem suave levará à oficina de reparo das locomotivas.
Entrando no armário embutido, a via principal sairá no quarto dos garotos.
Como existe uma janela, outra rampa deverá ser feita, com 2 graus.
Estou negociando um cantinho, com os garotos, para poder fazer um depósito de óleo e a caixa d'água — e isso tudo, numa altura que não atrapalhe os posters.
Senão, terei que fazer um desvio, e aí os custos subirão.
Tudo devidamente demarcado, a linha passará pelo banheiro.
Aí, haverá uma bela obra de arte: — Um pórtico, para não incomodar quem estiver usando.
Imagine uma bela composição, com uma G-22U tracionando 14 vagões fechados sobre esse pórtico em arco, e o som das rodas passando na junção dos trilhos. Dá para ficar com os olhos rasos d'água.
Entrando na cozinha, uma fábrica, ou uma refinaria de petróleo.
Se for fábrica, usarei o tampo do armário de madeira. Bem projetado, dá para colocar um armazém.
A refinaria, é claro que será em cima do exaustor. Vou aproveitar o vapor que sobe das panelas. Que realismo!
Da cozinha para a área de serviço, terei um pequeno problema: — O secador de roupa terá que mudar de lugar.
Não posso conceber a composição passando em meio a roupas penduradas.
Esta nova maquete terá somente linha singela. Não quero nada parecido com ferrovilandia, com linhas para todos os lados. Uma ferrovia bem simples, porém em escala!
Do material rodante, só 1/3 estava em escala. Quando não era a altura, era o comprimento. Os rodeiros, mais pareciam rodas de caminhão fora-de-estrada.
Como poderia compactuar com uma coisa dessas, sendo um modelista!? Agora, tudo que é meu está em escala.
Quanto tempo eu joguei fora, operando aquela maquete 1,50 x 2,10 metros, e assim mesmo, guardando-a em pé atrás do armário!
Quanta satisfação jogada fora, envelhecendo os vagões e locomotivas fora de escala! E a arte desperdiçada, com as obras de arte no tamanho errado!
Quanto olho arregalado jogado fora, diante da vitrine — mão no bolso, dinheiro curto etc. —, quando surgia um novo lançamento!
E que desperdício de tardes e noites, deitado no chão, só para ficar na altura da ferrovia, para ver a composição vindo na minha direção... — com aqueles monstruosos milímetros fora do lugar!

Pois bem, Amigos. Por enquanto é só. 

O Blog está meio parado, mas continuo pensando em assuntos para mantê-lo ativo, mas falta-me tempo suficiente para isso, mas persisto na intenção de continuar com meus artigos assim que me for possível.

Até uma próxima postagem!

domingo, 18 de dezembro de 2016

CVs - ESSAS COISAS AINDA UM TANTO DESCONHECIDAS

Olá Amigos!


Apesar de o sistema DCC já ser mais do que conhecido por todos nós Ferromodelistas, mesmo naqueles que estão se iniciando no Hobby, ainda pairam algumas dúvidas sobre seu funcionamento, principalmente na parte que toca os CVs, suas finalidades e modo de operação.
Uma maneira fácil de se entender um pouco mais sobre o que vem a ser os CVs é procurar os site da NMRA e verificar as Estandardizações (S) e Recomendações Práticas (RP) da entidade sobre o assunto.
NMRA site - http://www.nmra.org/index-nmra-standards-and-recommended-practices
No site podemos ver uma série de tópicos que começam com a letra (S) que são denominados STANDARDS (|Estandardizações), que são normas que norteiam a fabricação de componentes DCC dedicados ao mercado de ferromodelismo norte americano, que é interessante que saibamos, pois consumimos muitos desses produtos.
Essas normas vão desde o formato do perfil de um rodeiro até tamanho de desvios, espaçamento entre linhas, tamanhos de bocas de túneis e assim por diante. Tudo está normatizado, tudo está definido para que a compatibilidade entre os fabricantes seja total e para que tenhamos produtos compatíveis entre si. Pena que nosso fabricante não siga essas normas, mas ele teve suas razões para fazer isso e não devemos contestá-las. Aceitamos ou não. Compramos ou não.
Vamos falar especialmente da Norma S-9. A norma S-9, publicada em 1984, trata do assunto Eletricidade ligada ao Ferromodelismo.
http://www.nmra.org/index-nmra-standards-and-recommended-practices.
Nessa norma, no item A, por exemplo, diz que uma tensão positiva aplicada ao "trilho da direita" de uma linha provocará um movimento à diante de nosso modelo. Sim, simplesmente isso!
Mais abaixo, uma nota (3) explica que o "trilho da direita" é aquele que fica a direita de uma pessoa se colocada entre as linhas com as costas virada para a frente locomotiva.
Por esse motivo, sempre que comprarmos um novo modelo de locomotiva, ao colocarmos ela na linha de testes, ela andará como todas a demais que já compramos ou que iremos a comprar ao longo do tempo daqui para a frente.
Já pararam para pensar porque isso acontece? Nada é por acaso, tudo tem uma explicação.

ELETRICIDADE NO DCC

Dentro dessa Estandardização temos a norma S-9.1 (S-9.1 DCC Electrical Standard - (2006) que trata de como o DCC se comunica dentro do sistema.
Vários itens dentro dassa aba tratam de vários outros assuntos, mas finalmente chegamos a norma S-9.2.2 (S-9.2.2 DCC Configuration Variables) - (2012) que trata especificamente do assunto que aqui nos interessa, os CVs.

DECODERS E CVs

Um decoder recém saído de sua embalagem já vem programado com uma série de padrões para que funcione assim que tiver sido conectado a um modelo.
Mesmo que não façamos nada além de ligar seus fios ao modelo, ele vai funcionar normalmente e seu funcionamento será determinado pelos valores que foram colocados em seus CVs.
Ao ligarmos nosso decoder ao nosso modelo, sendo ele com som ou não, uma série de ações serão realizadas mesmo que não alteremos nada no decoder depois de ligado.
Normalmente a locomotiva andará para frente se girarmos o botão de velocidade, andará para trás se apertarmos o botão de reversão da marcha, se comandarmos, acenderá o farol dianteiro se estiver andando para frente,  ou acionará o farol traseiro se mudarmos a direção, tocará o sino se acionarmos o botão do sino, e tocará a buzina se assim o quisermos e comandarmos, tudo funcionará normalmente a partir do momento que ligarmos a energia do nosso console.
Nos nossos controles de mão, temos normalmente 10 botões de função, mas as funções F1, F2, F8, F0, <, >, e parada de emergência, funcionarão normalmente para todos os decoders e do mesmo jeito em qualquer um deles. Os demais botões podem variar de decoder para decoder.
F3, por exemplo, em determinados decoders pode acionar um toque curto da buzina e em outros pode acionar o som de desengate.
F5 e F6, em alguns decoders podem acender os faróis auxiliares (Ditch Lights) em outros, pode servir para acelerar e desacelerar o som do motor sem alterar a velocidade da locomotiva.
Tudo isso é comandado pelos CVs e como eles são programados por cada fabricante ou pelo Ferromodelista.
Existem mais de mil CVs (1024 CVs segundo a norma S-9.2.2) que podem ser programados dentro da norma desenvolvida pela NMRA. 
Alguns deles são classificados como MANDATÁRIOS (M), alguns são classificados como RECOMENDADOS (R) e outros são classificados como OPCIONAIS  (O). 
Os Mandatários devem ser implementados pelo fabricante de modo a conformar o decoder e seu funcionamento, dentro de normas estabelecidas pelo padrão da NMRA.
Os Recomendados são fortemente encorajados a serem implementados conforme o padrão, mas não são Mandatórios, ou seja, o fabricante é encorajado a conformá-lo de acordo com o padrão, mas se não o fizer, o decoder só funcionará de modo diferente que o normal, mas não deixará de ser homologado pela NMRA.
Os Opcionais, são livres para serem implementados conforme o desejo do fabricante.
Muitos desses 1024 CVs que já existem estão reservados pela NMRA para uso futuro. Não são usados na configuração atual.
Tomemos como exemplo o primeiro CV disponível em um decoder, o CV#01 (Primary Address - Endereço Primário). Ele é um CV que determina o endereço inicial do decoder, é Mandatário e seu valor padrão é 3 (Três), ou seja, todo e qualquer decoder homologado pela NMRA terá o endereço inicial 03 (na Europa também se usa esse valor)
Mais tarde, podemos modificar o endereço dos nossos modelos, mas se resetarmos o decoder, ele estará novamente com o valor 03.

OS CVs E OS FABRICANTES DE CONTROLADORES E DECODRS

Os fabricantes de consoles DCC e decoders têm liberdade de tratar os CVs que não forem Mandatários conforme suas convicções. Até o procedimento de alteração deles são diferentes para cada fabricante.
O console da MRC, por exemplo, sempre que se entra no modo de programação,  nos apresenta uma interface mais amigável que nos leva a pensar que ainda não estamos mexendo em CVs, mas estamos.
Ao entrarmos no modo de programação da MRC ele nos pede inicialmente que estabeleçamos o Address (Endereço). Podemos imediatamente alterar o endereço de nossa locomotiva para quatro dígitos e isso é o mesmo que estarmos alterando os CVs #17 e #18 (Extended Address)  ou de optarmos por um endereço entre (0) e (127) estaremos atuando no CV#01 (Primary Address). Em seguida passamos ao Vstart. Isso é o mesmo que alterarmos o valor do CV#02. Depois nos passa para ACC (Aceleration Rate - CV#03) e depois passamos para DEC (Desaceleration Rate CV#04) e assim por diante até que finalmente nos apresenta a tela de manipulação direta dos CVs, onde você entra primeiramente com o número do CV desejado e em seguida coloca o valor que deseja para esse CV.
Em todo esse processo, ao mudarmos os valores de cada item, estávamos mexendo em CVs.
Quando apertamos um botão de função em nossos consoles, estamos manipulando dados dentro dos CVs dentro de nossos decoders.
Quando apertamos a função F0 (ligar faróis), ou qualquer outro botão de função de nossos consoles, estamos interagindo com os CV#33 a CV#46. Estes CVs fazem o mapa de funções do nosso decoder, que é previamente programado no decoder para que ele responda de acordo com o que desejamos. Mas como são CVs do tipo Opcionais, cada fabricante pode programá-lo de acordo com suas necessidades e por isso que o mapa de função de cada console ou decoder, pode variar de fabricante para fabricante.
Pode-se programar inclusive se um determinado botão pode funcionar como uma chave Liga/Desliga (Aperta/Liga - Aperta/Desliga - F1/F0 = Sino/Luzes) ou como um Push-Button (Aperta/Liga - Relaxa/Desliga - F2 = Buzina). Tudo isso é responsabilidade dos CVs.
Para manipularmos os CVs de num determinado decoder com segurança, precisamos obter o manual do fabricante deste decoder para aquela versão do nosso decoder, pois até para um mesmos fabricante as funções de cada CV podem variar. Procure o site do fabricante do decoder e busque o SUPORTE e encontre o Manual Técnico do decoder. Ele é primordial para uma atuação segura no decoder.
Um Lais DCC funciona diferente de um Tisunami, que funciona diferente de um Econami, que funciona diferente de Locksound, que funciona diferente de um Lenz.
Pode até ter alguns CVs com a mesma função, mas em termos de programação, podem haver algumas diferenças.

UMA PEQUENA EXPLICAÇÃO  SOBRE NÚMEROS BINÁRIOS, BITS E BYTES

Nós aqui no Brasil, no nosso dia a dia, trabalhamos com números decimais. Os números decimais têm base 10. Usamos algarismos de (0) a (9) e quando não temos mais algarismos para representar nossa contagem, adicionamos mais uma casa e começamos novamente com os algarirmos de (0) a (9) e assim temos que, cada vez que um algarismo adianta uma casa nesse sistema, ele é multiplicado por 10, portanto se colocarmos um número na primeira casa, ele toma a seguinte forma: (X) (o algarismo que está ocupando determinada casa), multiplicado por (10) elevado a potência referente ao número da casa, ou seja, a primeira casa tem potencia (0), a segunda casa tem potencia (1), a terceira potência (2) e assim por diante.
Quando escrevemos o número (1234 - hum mil duzentos e trinta e quatro unidades), na verdade estaremos escrevendo 1x10³ + 2x10² + 3x10¹ + 4x10° = 1x1000 + 2x100 + 3x10 + 4x1 (qualquer número elevado a zero é igual a (1)) = 1000 + 200 + 30 + 4 = 1234
No sistema decimal, cada posição (casa) pode receber algarismos de (1) a (9). Quando nossa casa está ocupada pelo número (9), para escrevermos o próximo número que seria (10), temos que abrir mais uma casa, ou seja, 1x10¹ + 0x10° = 10+0 = 10.
Porém, quando começamos a falar de CVs, precisamos também começar a falar de Números Binários.
O que são NÚMEROS BINÁRIOS?
Com números binários o sistema de escrita é idêntico aos números decimais, só que agora estaremos trabalhando com a base (2).
Um detalhe importante é que no sistema binário só podemos escrever algarismos (0) e (1). Podemos interpretar esses algarismos como Ligado (1) - Desligado (0), nivel Alto (1) - nível Baixo (0) e etc, sempre com apenas dois estados, sempre antagônicos. Não existe meio termo, não existe "mais ou menos". É sempre Verdadeiro (1) ou Falso (0).
Podem perguntar: Mas a base não é (2), porque não podemos escrever (2)? Simples! Porque o número (2) expresso nessa forma está na base decimal (2x10°) e não na base binária (1x2¹ + 0x2°).
Do mesmo modo que para escrevermos o número (10) no sistema decimal temos que abrir uma nova casa, no sistema binário, para escrevermos o número (2) vamos precisar abrir também uma nova casa. Um pouco complicado, não? Mas vamos seguir com a explicação.
Vamos lá! Já dissemos que no sistema binário, só podemos usar algarismos (0) e (1), então para escrevermos o zero basta colocarmos o (0) em nossa primeira casa (0x2° = 0x1 = 0) e para escrevermos o (1) colocaremos o algarismo (1) em nossa primeira casa (1x2° = 1x1 = 1).
Seguindo, vamos escrever o número dois. Como faremos isso? Como já dissemos antes, no sistema binário só usamos algarismos (0) e (1). Do mesmo modo que no sistema decimal, ao esgotarmos as possibilidades de algarismos em uma casa (0 a 9), temos que abrir uma nova casa para escrever o número seguinte (10).
No sistema binário, faremos o mesmo, abriremos uma nova casa. Então para escrevermos o número dois, usaremos duas casas. A representação do número dois no sistema binário será (10).
Caiu a casa!!! Como assim??? Não podemos escrever (2), mas podemos escrever (10)???
Observem que, como diz o sistema binário, só podemos usar algarismos (0) e (1) e é isso que que estamos fazendo. Então como fica essa representação?
Vamos lá! O número (10) em binário corresponde a 1x2¹ + 0x2° = 1x2 + 0x1 = 1 + 0 = 2.
Seguindo, vamos escrever o número três. Como seria?
Três, no sistema binário e representado pelo número (11), ou seja, 1x2¹ + 1x2° = 1x2 + 1x1 = 2 + 1 = 3.
Como vemos nossas duas casas binárias já estão ocupadas com algarismos (1) e não temos como colocar outros algarismos nelas, então para o nosso próximo número (4) temos que abrir uma nova casa, então o número quatro, no sistema binário, é representado como (100) - 1x2² + 0x2¹ + 0x2° = 4 + 0 + 0 = 4.
Estamos começando a ver uma certa tendência nesse nosso sistema de representação. A primeira casa representa o 2° a segunda, 2¹, a terceira 2² e seguindo com essa tendência teremos 2³ e assim por diante, até 2 elevado a 7, que é até onde nos interessa, por enquanto e vamos falar disso mais tarde.
Podemos deduzir que cada casa no sistema binário tem um valor máximo que é igual ao valor de 2 elevado ao número da casa que ele representa, indo de (0 a 7 (que é até onde nos interessa, por enquanto)) assumindo os valores 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, sempre representando uma potencia do número (2).
NR1 A título meramente ilustrativo, entre em seu computador e abra a calculadora do Windows e selecione e apresentação "PROGRAMADOR". 
Você verá que  ela mostrará, logo a baixo do display, as palavras:
HEX (Hexadecimal - Base 16)
DEC (Decimal - Base 10 - a que usamos normalmente)
OCT (Octal - Base 8)
BIN (Binário - Base 2). 
Digite um número qualquer (155 no nosso exemplo) e veja sua representação nos demais sistemas.
Clique também nos modos de representação e veja no visor e no teclado numérico a representação do número e os algarismos que são usados para cada sistema.

NR2 - Alguns podem perguntar: Para que  eu preciso saber disso? Isso tudo pode parecer sem necessidade, mas só parece estranho porque não usamos cotidianamente. Até há pouco não sabíamos o que era o sistema binário, mas como vamos precisar usá-lo, estamos conhecendo-o. 
Sistemas de escritas ou numeração diferentes podem não ser usáveis de imediato mas não custa saber do que estamos falando, pois podemos precisar deles mais tarde, como precisaremos do sistema binário para programar nossos CVs.
Os americanos e ingleses usam, ou usavam, sistemas de medidas diferentes dos nossos. 

Nós usamos o metro, quilômetro, décimo, centésimo, quilograma e litro. Eles usam pé, jarda, milha, meio, quarto, oitavo, dezesseis avos, onça, galão e polegada. 
Há algum tempo atrás, falar em décimo de polegada era palavrão para eles. 
Já notaram em filmes policiais a tradicional foto dos meliantes na delegacia. Existe uma régua de medida atrás deles que em nada se assemelha a alguma coisa que tenhamos noção. 
Dizer que uma pessoa tem cinco pés, seis polegadas e alguns avos de altura é palavrão para nós, mas dizer que uma pessoa mede 1,70metros também é palavrão para eles. 
Portanto, pode parecer estranho inicialmente, mas com o uso vamos nos acostumando e não ficará tão estranho.

BITs, BYTEs E CVs

Chegamos ao ponto em que vamos começar a falar de Bits e Bytes e CVs.
Em Eletrônica/Informática, essas casas que representam o números binários (0) e (1) são chamados de BITs.
Um BIT é uma casa de um número binário em que só podem existir algarismos (0) e (1) e esses bits são ditos que vão de 0 a um valor qualquer, dependendo da extensão do nosso número.
Então temos o Bit0, Bit1, Bit2, o Bit3 sempre lidos da direita para a esquerda representando os valores 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64 e 128..., que são correspondentes às potências de 2 elevados ao número do BIT correspondente.
Um número binário ou conjunto de oito BITs é denominado BYTE.
Sempre que falarmos em Bytes, estaremos nos referindo a um conjunto formado por oito Bits. Então o número binário (10011011), com oito bits, representa um BYTE.
Que números podemos escrever dentro de um Byte?
Um byte pode representar 256 números que vão de (0) a (255). O número binário apresentado mais acima (10011011), será traduzido como: 128 + 0 + 0 + 16 + 8 + 0 + 2 + 1 = 155, na base decimal.
Se todos os seus bits fossem (1) seu valor seria 255 e se fossem (0) seu valor seria zero, naturalmente.
Já perceberam onde estamos chegando? Não? então vamos prosseguir.
Para que possamos programar ou interagir como funcionamento de  um decoder usamos os CVs que tem a forma de um BYTE, ou seja um número binário com oito BITs.
Os CVs são dados e/ou parâmetros que, ou já estão programados dentro dos decoders, ou precisamos programar para que o nossos modelos funcionem da maneira que desejamos.
Um CV tem oito casas que devemos preencher com (0) e (1), portanto, corresponde a um BYTE, ou seja, corresponde a oito BITs nos quais programaremos ou colocaremos os dados que queremos usar para interagir com nosso modelo.
Um sistema DCC é composto por uma estação de controle, que fica do lado de fora da maquete e o decoder que fica dentro da locomotiva.
Tanto o console quanto o decoder são micro computadores independentes que servem para controlar o nosso sistema DCC.
No nosso console, fora da maquete, o micro computador interno interpreta nossos comandos e os codifica em um sistema de dados que o micro computador do decoder possa entender.
Esses dados são chamados de PACKETS (Pacotes) que são enviados através dos trilhos para o decoder dentro da locomotiva que os decodificará e agira conforme as instruções recebidas e de acordo com os CVs programados anteriormente dentro dele.
Bachmann EZ-Command
Tomemos um console bem simples como o EZ Command da Bachmann .
Tudo muito simples. Uma fonte de alimentação, um cabo de força para ligar aos trilhos, um painel com um botão de parada, dois botões de direção, um botão de função, 10 botões de endereçamento direto das locomotivas a serem controladas e o botão de ajuste de velocidade.
Seleciona-se a locomotiva a ser comandada, seleciona-se a direção, ajusta-se a velocidade e o console começa a mandar pacotes para o decoder que ajusta seus dados de acordo com essas instruções e interage com a locomotiva
NCE Power Cab
até que um novo botão seja apertado e novo pacote de instruções seja enviado e seja necessário novo ajuste no decoder ou que um novo decoder seja acionado.
É assim que funciona, bem simples não?
Mas os consoles vão se sofisticando e sofisticam-se os decoders e mais botões surgem nos consoles e novas funções são implementadas nos decoders e mais complexo vai ficando a operação mas no "frigir dos ovos", depois de comandada uma operação é assim que funciona.
Vejam ao lado os consoles mais populares da NCE e da MRC. Parecem complexos, não?
MRC Prodige Advanced Squared 2
Mas posso garantir que seu funcionamento é o
mesmo que acontece no console da Bachmann, bem mais simples.
A diferença é que os dois últimos têm muito mais capacidade de se configurar os CVs e com isso, conseguem extrair muito mais desempenho dos nossos modelos que o console da Bachmann.
Todo o segredo está nos CVs!!!!!
Como os CVs fazem isso?
Pois bem, os CVs fazem isso de diversas maneiras.
Se tomarmos como exemplo o CV#01, veremos no manual do decoder que ele aceita valores de (0 a 127).
O que isso quer dizer?
Pois bem. Este é um CV do tipo Mandatário (tem que seguir a especificação da NMRA), e seu valor inicial é 03, mas pode ser modificado e com valores que podem variar de 1 a 127.
Este CV interage diretamente com mais dois outros CVs, (CV#19 (Consist Address) e CV#29 (Configuration Data 1).
Diz ainda a especificação que o decoder irá processar todo e qualquer Pacote de instruções para o endereço contido no CV#1, quando o bit5 do CV#29 estiver setado com o valor (0).
Se o CV#1 for setado para um novo valor, isto fará com que  o CV#19 (endereço de Consist) seja setado para (0) e o bit5 do CV#29 para (1).
O Bit5 do CV#29 deve ser setado para (1) de modo a que o valor setado no CV#1 possa ser mudado em "Modo de Operação". Setando o bit5 do CV#29 de novo para (0), isso fará com que o decoder reconheça o novo endereço primário.
Vejam que no CV inicial de nosso sistema já há uma interação com mais dois outros CVs (CV#19 e CV#29) Isso é transparente para nós. O importante aqui é saber que o CV#01 indica o endereço inicial da nossa locomotiva e a partir dele é que todo o sistema começa.
NR - Vale ressaltar que o CV#1 tem, como todos os CVs, oito bits, mas somente sete bits são usados (bits 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6). O bit 7 (oitava posição) não é usado e portanto sempre estará com valor (0), daí no CV#01 podemos somente colocar dados que variam de 1 a 127. 
Para colocarmos endereços com mais de 3 dígitos, já estaremos em outro nível, interagindo com outros CVs (falaremos disso mais tarde).

Um outro modo de funcionamento de um CV, mais direto, é servir como uma espécie de memória para um determinado valor. Coloca-se esse valor no CV e o micro processador do decoder, usa esse valor para ajustar os parâmetros que vai usar para determinadas funções.
CV#02-(Vstart), CV#03-(Aceleration Rate), CV#04-(Deceleration Rate), CV#05-(Vhigh), CV#06-(Vmid), são exemplos de CVs que trabalham desse modo. Geralmente os valores colocados neles (0 a 255) entram em uma fórmula do tipo usado para o CV#02 (Vstart):
Voltagem de partida = Voltagem da fonte interna do decoder 
(pode chegar a 20V, mas normalmente é 14V) 
vezes o valor colocado em CV#02 (0 a 255)  
dividido por  255
que vai definir o valor de tensão que o decoder usará para o funcionamento do motor no Step 1.
No exemplo acima, o CV#02 é normalmente setado na fábrica com o valor (0), então o resultado dessa fórmula é ZERO.
Mas se tivermos uma locomotiva em que o motor precisa de uma voltagem maior para dar a partida (por exemplo 5V para uma tensão da fonte interna do decoder de 14V) teremos que colocar no CV#02 o valor entre (91 ou 92) pois:
(14 x 91 ou 92) : 255 = 4,99 ou 5,05V
Este valor de tensão será enviado ao motor quando colocarmos o botão de velocidade no Step 1. Conjugando o ajuste de CV#02-(Vstart), CV#05-(Vhigh), CV#06-(Vmid), podemos ajustar a curva de performance de um motor de modo a que ele fique o mais linear possível, melhorando o desempenho de nosso modelo (veja figura abaixo).
Alguns CVs são do tipo "Read Only" (Somente para Leitura). São setados de fábrica com um determinado valor e esse valor não pode ser mudado, dependendo do valor, resetam o decoder para os valores de fábrica.
É o caso do CV#07 (Manufacturer Version - Versão do Software do Fabricante) que é ajustado na fábrica com o valor (70 - Soundtraxx Econami). Também é o caso do CV#08 (Manufacturer ID - Identificador do Fabricante) que é setado na fábrica com o valor (141 - Soundtraxx Econami), mas se for reajustado para um valor entre (8) e (13)* provocará o reset do decoder, segundo uma tabela que pode ser vista no manual do decoder.
O valor (8) colocado nesse CV, fará com que todos os CVs do decoder retornem aos valores de fábrica, que normalmente nos salva de um ajuste desastroso ou incorreto.
(*) O manual mostra a tabela com valores somente entre 8 e 12, então pode ter havido em algum lugar, um erro de impressão.

Outros tipos de CVs são aqueles que trabalham em pares. É o caso dos CV#17 e CV#18. Eles trabalham em pares e armazenam os dados para que possamos identificar nossos modelos com números de (0000 a 9999).
NR - O jeito de trabalhar com esses CVs é um tanto complicado e normalmente é mais fácil usar o roteiro do nosso console para ajustarmos o endereço de quatro dígitos que colocaremos na nossa locomotiva. Desse modo, todos os ajustes necessários são feitos automaticamente e não precisamos nos preocupar com mais nada a não ser o endereço que colocamos na locomotiva para podermos selecioná-la mais tarde. 
Normalmente usamos o número estampado na cabine da locomotiva para identificá-la.

Um outro modo dos CVs trabalharem é selecionar um ou mais Bits de um Byte para funções especiais.
O CV#19 (Consist Address - Endereço do Consist) funciona desse modo. Nesse CV os bits (0) a (6 ) do CV servem para setar o endereço do Consist que pode ser colocado entre 0 e 127 (número binário com sete bits) e o bit (7) serve para indicar a direção da locomotiva ((0) direção normal (de frente) - (1) direção invertida (de ré)).
NR - Neste mesmo Blog, quando falamos sobre Bits e Bytes, dissemos que um bit só pode ter valores entre (0) e (1) e que esse valor deve ser multiplicado pelo valor da posição relativa do Bit dentro do Byte. Então no caso do CV#19, o bit 7, que recebe o nome de CDIR (Consist Direction), quando for setado (for colocado (1) em sua posição) somará 128 unidades ao endereço escolhido para o Consist, ou seja, se numerarmos um Consist de duas locomotivas com o número (100), o CV#19 da locomotiva frontal deverá receber o valor (228) (100 do Consit + 128 da direção a frente) e o CV#19 do decoder da segunda locomotiva deverá receber o valor (100) (100 do Consist + 0 da direção a ré).

Manipular os CVs nos permite ajustar os parâmetros de nossos modelos para que eles funcionem do jeito que queremos.
Quando colocamos duas, ou mais locomotivas, em Consist, apenas numerando esse Consist, com um novo endereço, a operação das locomotivas seguirá a programação que elas tinham quando funcionavam sozinhas, mas imaginemos que colocamos duas locomotivas engatadas de ré e queremos que apenas os faróis frontais das duas acendam e sempre e somente naquela que  estiver andando para frente. Imaginemos que queremos que somente a buzina ou o sino da locomotiva frontal toque quando necessário. Podemos fazer isso manipulando os CVs das locomotivas envolvidas de modo a inibir essas funções quando não desejadas. Veja o manual do fabricante do decoder para saber como fazer esses ajustes.

MAPAS DE FUNÇÕES

Os CVs são tão poderosos que, através deles, podemos mudar o modo como os botões de função do nosso console funcionam.
Os CVs #33 a #46 (Function Status - Estados das Funções) fazem esse serviço.
Cada um deles está designado para atuar referente a um botão de função (F0 a F12) e para cada um deles é designado um  valor que ajusta a sua função. Veja o mapa abaixo.
Por exemplo. Para o botão de função F0 (Liga/Desliga os faróis) dois CVs são designados para esse botão. CV#33 comanda o farol dianteiro e CV#34 comanda o farol traseiro. Esses dois CVs precisam ter valores (1) para o farol dianteiro e (2) para o farol traseiro. Outros valores possíveis são:
(4) - Buzina, (8) - Sino,  (16) - Saída FX3, (32) - Saída FX4, (64) Freio Dinâmico, (128) - Buzina Curta.
Esses valores são usados para todos os CVs envolvidos, porem nem todos os botões podem assumir todas as funções que podem ser dignadas, havendo um escalonamento entre eles. Devemos consultar o manual do decoder para configurá-los corretamente.
NR - É importante saber  com qual a versão do software que o decoder está programado, pois mesmo em decoders com a mesma marca isso pode levar a métodos diferentes de programarmos os decoders. 
As informações acima se referem ao decoder Soundtraxx Econami 100 com software versão 1.3. 
O Soundtraxx Econami 200 PNP já incorpora a versão 1.4 do software e o método de programação do Mapa de Funções é bastante modificado, ficando mais simples de programar os botões, mas envolvendo CVs diferentes dos que são usados na versão 1.3 do software (ele utiliza uma tabela indexada para o mapa de funções e os CVs envolvidos vão de #257 a #322) .

EFEITOS LUMINOSOS

Em muitas fases desse relato, mostramos que alguns CVs são relacionados a outros CVs para que sua função seja plenamente executada.
Acima falamos que a função F0 está ligada ao CV#33, então dissemos que para a função F0 funcionar como F0 (acender o farol) o CV#33 precisa estar setado com o valor (1) ou (2).
Mas como esse farol será aceso? Que efeito terá esse farol? Piscará? Oscilará? Funcionará como um "Strobo Light" simples, ou como um "Strobo Light" duplo?
Pois bem, para cada um desses efeitos existe um valor em uma tabela, que deverá ser colocado em um CV específico, que deverá estar relacionado ao botão de função que acionará o efeito.
Para o botão F0, o farol dianteiro é relacionado ao CV#49 e para o farol traseiro o CV#50.
Para o botão que aciona os faróis auxiliares (FX3 e FX4 - F5 e F6, normalmente) os CVs #51 e #52. Alguns decoders têm mais duas saídas de efeitos luminosos (FX5 e FX6) que podem ser designadas para qualquer botão de função no nosso console, mas  normalmente são associados aos botões F5 e F6 também, em decoders mais comuns (com apenas duas saídas FX).
Esses CVs (#49 a #54) são formatados da seguinte forma:
Os bits (0) a (4) são reservados para os valores que selecionarão os efeitos que serão colocados em cada saída de luz do decoder. São cinco bits envolvidos e isso nos dará 32 efeitos possíveis, mas nem todos os valores são usados em todos os decoders. Já encontrei decoderes com 25 efeitos e outros com menos como o da tabela ao lado.
O bit (5), denominado PHSE (Fase) serve para determinar a fase do efeito em relação a um outro CV do mesmo tipo ou correspondente.
O bit (6), denominado XING (Grade-Crossing Logic) aciona o efeito de piscar os faróis ao acionarmos a buzina ao passar em uma passagem de nível.
O bit (7), denominado LED (LED Compensation Mode) serve para alterar o método de envio de corrente à saída de modo a balancear os níveis de luminosidade entre LEDs e Lampadas Incandescentes.
Vamos falar, como exemplo, do efeito que pisca os faróis auxiliares (FX3 e FX4) ao acionarmos a buzina (Grade-Crossing Logic), que podem ser implementadas com os CVs #51 e #52 no Soundtraxx Econami. Isso requer o efeito Ditch Light Tipo I e o valor para isso é (9). Então, colocando o valor (9) nos CVs #51 e #52 eles acenderão.
Para acrescentarmos o efeito Grade Crossing Mode, (piscar com o acionamento da buzina), devemos setar o bit (6) XING.
Note que o bit (6) quando é setado, acrescenta (64) unidades ao byte então valor a ser colocado nos devidos CVs deve ser (9) do efeito Ditch Light, somado a (64) (do efeito XING) que nos dá (73).
Mas se assim procedermos, os dois faróis piscarão em sincronismo  e não é isso que queremos. Queremos que os dois pisquem alternadamente. Para acertar isso devemos usar o bit (5) PHSE.
O bit (5) PHSE inverte a fase do efeito, ou seja, quando deveria acender ele apaga e vice-versa. Mas se setarmos os bits (5) dos dois CVs, ele continuarão em sincronismo, então devemos setar apenas um dos bits PHSE dos dois CVs e com isso teremos os dois faróis auxiliares piscando alternadamente quando acionamos a buzina da nossa locomotiva.
Note também que, do mesmo modo que o bit (6), esse bit setado, soma um valor fixo ao CV (o valor é 32) que deverá ser somado ao valor anterior de um dos CVs, permanecendo o outro CV com o valor anterior. Então, un dos CVs ficará com o valor (73 - 9 do efeito + 64 do XING) e o outro CV terá o valor (105 - 9 do efeito + 64 do XING + 32 do PHSE)
Ainda relacionado a esse efeito luminoso, temos o CV#60 (Grade-Crossing Hold Time) que ajusta o tempo em que o efeito nos faróis auxiliares ficará ativo. Temos quatro bits disponíveis (bits (0) a (3)) que nos dá uma contagem de 0 a 15 (segundos). Os demais bits do CV são zerados (não são usados).
Tudo o que falamos acima está relacionado aos CVs #51 e #52, mas não é interessante que para acionarmos dois faróis que funcionam em conjunto, tenhamos que acionar dois botões de função (F5 e F6). Precisamos mudar o mapa de funções para que os faróis auxiliares possam ser acionados por apenas um botão de função. Como fazer isso?
No mapa de funções (ver tabela acima) podemos ver que os botões de função F5 e F6 estão associados aos CVs #39 e #40. Vamos escolher um deles (F5 por exemplo). F5 está associado ao CV #39 cujo valor (2) aciona a função. Para o CV#40 que aciona a saída FX4 devemos colocar o mesmo valor (2) para que seja agora acionado pelo botão de função F5, também.
O botão F6 agora fica sem função até que designemos nova função para ele.
Nota Importante - Isso se  refere apenas ao decoder em que estivermos trabalhando ou esteja instalado na locomotiva que estamos trabalhando. Ao selecionarmos uma outra locomotiva, ou um outro decoder, o nosso console trabalhará normalmente, de acordo com os parâmetros  que estiverem definidos nesse novo decoder, pois o mapa de funções para um determinado decoder fica armazenado no decoder e não no console.

UM OUTRO JEITO DE MANIPULARMOS CVs

Um jeito também interessante de se trabalhar com CVs eu encontrei em uma locomotiva Atlas Golden Series SD24 equipada com um decoder QSI Quantum System Q1a Sound Decoders.
Eu comprei essa locomotiva para modelar a nossa SD-18 da RFFSA, mas a SD-24 tem o som de  motor Turbo e a SD-18 da RFFSA tem motor Aspirado e não tem o som do Turbo.
Neste decoder os diversos sons estão colocados e registros diferentes e podem ser ajustados individualmente (para minha sorte) bastando para isso ajustarmos alguns CVs, mas não existe um CV individual para cada som e sim um CV para selecionar os sons e outro Cv para ajustar o volume desse som. Os sons são ajustados da seguinte forma.
Primeiramente precisamos consultar o manual do decoder e achar uma tabela de valores específicos que devem ser colocados no CV#49. O CV#49 seleciona apenas que som vamos ajustar.
Em seguida devemos acionar o CV#52 e aí colocar o nível de som que queremos para o nosso decoder. O CV#52 ajusta apenas o volume de cada som selecionado pelo CV#49.
Os valores para esse CV variam de (0) a (15), sendo (0) correspondente a nenhum som e os incrementos de (1) a (15) aumentam o som em 2dB (decibels ou decibéis)*
É como se tivéssemos uma chave seletora representada pelo CV#49 e um botão de volume representado pelo CV#52.
(*) dB (Decibels ou Decibéis) é uma escala logarítmica usada para medir potencia de sons e outras grandezas. A escala logarítmica é mais usada quando há grandes variações entre as grandezas medidas. Uma variação de apenas 3dB entre dois eventos, significa que um evento é o dobro do outro.

Quando se quer, podemos dizer, "customizar" o funcionamento de um decoder ou uma locomotiva equipada com um determinado decoder e é sempre interessante e divertido fazermos isso, precisamos ser minuciosos em escolher nossos parâmetros e não é uma instalação básica que vai nos dar essa diferenciação. Temos que ir fundo em nossas escolhas e se não soubermos como, procurar aprender como se faz.
É o mesmo caso de comprarmos uma estrutura para nossa maquete e a colocarmos sem pintura, com as cores vinda de fábrica, em nossas maquetes. Não terá o mesmo brilho que se fizermos a sua pintura, detalhamento e envelhecimento.
Será uma peça única, diferente de todas as outras o que tornará nossa maquete também única, diferente de todas as demais.


Por enquanto é só, Amigos. Espero que tenham gostado e consigam tirar proveito desse texto.

Até uma próxima postagem

J.Oscar