quarta-feira, 20 de setembro de 2017

LEVANDO O HOBBY MUITO A SÉRIO

Olá Amigos!

Em 28/10/1997 faleceu um Grande Amigo. Seu nome era Itaí de Hollanda Cavalcante. 
Infelizmente foi eu a pessoa que descobriu seu falecimento e possivelmente a última pessoa  vê-lo vivo. Trabalhamos na maquete da sede da abpf (Cabine 3) aqui no Rio de Janeiro durante o sábado e no domingo anteriores e deixei-o em casa depois do trabalho, mas durante a semana seguinte, tentei várias vezes entrar em contato com ele pois fiquei preocupado com ele, por vários motivos. Como não consegui contata-lo, procurei sua atual companheira e fomos ao apartamento que ele ocupava no momento e quando conseguimos entrar, o encontramos já falecido, infelizmente!
O Itaí, apesar de seus vários problemas de saúde era um cara muito espirituoso e um Grande Modelista/Ferromodelista. 
Protético de profissão, usava seus conhecimentos profissionais para ajudá-lo no hobby, fazendo trabalhos primorosos no âmbito da confecção de modelos e detalhes ferroviários.
Nessa época, já havia uma grande discussão sobre escalas no ferromodelismo e sobre o conceito de "perfeitamente em escala" e graças a essa sua espirituosidade ele, em 1994, escreveu um artigo, muito bem humorado sobre o assunto, que foi publicado na Revista Centro Oeste nº 92 (1/12/1994) 
(http://vfco.brazilia.jor.br/ferreomodelismo.iniciar/serio.shtml) editado por seu "primo" e também nosso Grande Amigo, Flávio Roseiro Cavalcante (FRC).
Ontem, conversando com um Amigo, de repente me lembrei dele e mais tarde verifiquei que se aproximava a data do vigésimo aniversário de seu falecimento e em homenagem a ele e a nossa amizade, resolvi republicar seu artigo aqui neste nosso Blog. 

Aos que me seguem, espero que gostem.

LEVANDO O HOBBY MUITO A SÉRIO

Itaí Cavalcante
Centro-Oeste nº 92 - 1º-dez-1994
Estava eu tirando certa dúvida no dicionário, quando a curiosidade levou-me a pesquisar a palavra "modelismo":
"Reproduzir com exatidão, nos mínimos detalhes, em um determinado tamanho (escala)". 
Lembrei que sou um ferreomodelista, no mais puro significado da palavra. Então, perguntei-me:— Será que meus modelos estão realmente na escala?
Passei a mão no paquímetro, espessímetro, régua de cálculo, multi-teste digital, analógico, plantas do material rodante e da ferrovia modelada — enfim, tudo que me pudesse dar a certeza de o material ser realmente HO (1:87,085897), sem arredondar nada! Afinal, escala é escala.
Comecei pela maquete 1,50 x 2,10 metros, de grades com trilhos de latão, conferindo suas medidas de acordo com a ferrovia-protótipo.
Qual não foi a minha surpresa! Totalmente fora de escala, um verdadeiro absurdo. Me deu até taquicardia!
Passado o susto, recalculei tudo para iniciar nova maquete, e tratei de adquirir grades (Trilhos pré montados- NR) com trilhos "nickel-silver" — e isso, porque não encontrei trilhos de aço.
Minha maquete em escala começará na sala, pois a estação é um prédio majestoso, com suas devidas proporções.
Através da parede, abrirei uma passagem com um belo portal de túnel, devidamente modelado em pedra de mão.
Essa transição terá uma rampa em aclive de 1,5 grau, até chegar na altura do camiseiro do quarto e o espelho de parede.
Mais adiante, uma curva bem suave levará à oficina de reparo das locomotivas.
Entrando no armário embutido, a via principal sairá no quarto dos garotos.
Como existe uma janela, outra rampa deverá ser feita, com 2 graus.
Estou negociando um cantinho, com os garotos, para poder fazer um depósito de óleo e a caixa d'água — e isso tudo, numa altura que não atrapalhe os posters.
Senão, terei que fazer um desvio, e aí os custos subirão.
Tudo devidamente demarcado, a linha passará pelo banheiro.
Aí, haverá uma bela obra de arte: — Um pórtico, para não incomodar quem estiver usando.
Imagine uma bela composição, com uma G-22U tracionando 14 vagões fechados sobre esse pórtico em arco, e o som das rodas passando na junção dos trilhos. Dá para ficar com os olhos rasos d'água.
Entrando na cozinha, uma fábrica, ou uma refinaria de petróleo.
Se for fábrica, usarei o tampo do armário de madeira. Bem projetado, dá para colocar um armazém.
A refinaria, é claro que será em cima do exaustor. Vou aproveitar o vapor que sobe das panelas. Que realismo!
Da cozinha para a área de serviço, terei um pequeno problema: — O secador de roupa terá que mudar de lugar.
Não posso conceber a composição passando em meio a roupas penduradas.
Esta nova maquete terá somente linha singela. Não quero nada parecido com ferrovilandia, com linhas para todos os lados. Uma ferrovia bem simples, porém em escala!
Do material rodante, só 1/3 estava em escala. Quando não era a altura, era o comprimento. Os rodeiros, mais pareciam rodas de caminhão fora-de-estrada.
Como poderia compactuar com uma coisa dessas, sendo um modelista!? Agora, tudo que é meu está em escala.
Quanto tempo eu joguei fora, operando aquela maquete 1,50 x 2,10 metros, e assim mesmo, guardando-a em pé atrás do armário!
Quanta satisfação jogada fora, envelhecendo os vagões e locomotivas fora de escala! E a arte desperdiçada, com as obras de arte no tamanho errado!
Quanto olho arregalado jogado fora, diante da vitrine — mão no bolso, dinheiro curto etc. —, quando surgia um novo lançamento!
E que desperdício de tardes e noites, deitado no chão, só para ficar na altura da ferrovia, para ver a composição vindo na minha direção... — com aqueles monstruosos milímetros fora do lugar!

Pois bem, Amigos. Por enquanto é só. 

O Blog está meio parado, mas continuo pensando em assuntos para mantê-lo ativo, mas falta-me tempo suficiente para isso, mas persisto na intenção de continuar com meus artigos assim que me for possível.

Até uma próxima postagem!

domingo, 18 de dezembro de 2016

CVs - ESSAS COISAS AINDA UM TANTO DESCONHECIDAS

Olá Amigos!


Apesar de o sistema DCC já ser mais do que conhecido por todos nós Ferromodelistas, mesmo naqueles que estão se iniciando no Hobby, ainda pairam algumas dúvidas sobre seu funcionamento, principalmente na parte que toca os CVs, suas finalidades e modo de operação.
Uma maneira fácil de se entender um pouco mais sobre o que vem a ser os CVs é procurar os site da NMRA e verificar as Estandardizações (S) e Recomendações Práticas (RP) da entidade sobre o assunto.
NMRA site - http://www.nmra.org/index-nmra-standards-and-recommended-practices
No site podemos ver uma série de tópicos que começam com a letra (S) que são denominados STANDARDS (|Estandardizações), que são normas que norteiam a fabricação de componentes DCC dedicados ao mercado de ferromodelismo norte americano, que é interessante que saibamos, pois consumimos muitos desses produtos.
Essas normas vão desde o formato do perfil de um rodeiro até tamanho de desvios, espaçamento entre linhas, tamanhos de bocas de túneis e assim por diante. Tudo está normatizado, tudo está definido para que a compatibilidade entre os fabricantes seja total e para que tenhamos produtos compatíveis entre si. Pena que nosso fabricante não siga essas normas, mas ele teve suas razões para fazer isso e não devemos contestá-las. Aceitamos ou não. Compramos ou não.
Vamos falar especialmente da Norma S-9. A norma S-9, publicada em 1984, trata do assunto Eletricidade ligada ao Ferromodelismo.
http://www.nmra.org/index-nmra-standards-and-recommended-practices.
Nessa norma, no item A, por exemplo, diz que uma tensão positiva aplicada ao "trilho da direita" de uma linha provocará um movimento à diante de nosso modelo. Sim, simplesmente isso!
Mais abaixo, uma nota (3) explica que o "trilho da direita" é aquele que fica a direita de uma pessoa se colocada entre as linhas com as costas virada para a frente locomotiva.
Por esse motivo, sempre que comprarmos um novo modelo de locomotiva, ao colocarmos ela na linha de testes, ela andará como todas a demais que já compramos ou que iremos a comprar ao longo do tempo daqui para a frente.
Já pararam para pensar porque isso acontece? Nada é por acaso, tudo tem uma explicação.

ELETRICIDADE NO DCC

Dentro dessa Estandardização temos a norma S-9.1 (S-9.1 DCC Electrical Standard - (2006) que trata de como o DCC se comunica dentro do sistema.
Vários itens dentro dassa aba tratam de vários outros assuntos, mas finalmente chegamos a norma S-9.2.2 (S-9.2.2 DCC Configuration Variables) - (2012) que trata especificamente do assunto que aqui nos interessa, os CVs.

DECODERS E CVs

Um decoder recém saído de sua embalagem já vem programado com uma série de padrões para que funcione assim que tiver sido conectado a um modelo.
Mesmo que não façamos nada além de ligar seus fios ao modelo, ele vai funcionar normalmente e seu funcionamento será determinado pelos valores que foram colocados em seus CVs.
Ao ligarmos nosso decoder ao nosso modelo, sendo ele com som ou não, uma série de ações serão realizadas mesmo que não alteremos nada no decoder depois de ligado.
Normalmente a locomotiva andará para frente se girarmos o botão de velocidade, andará para trás se apertarmos o botão de reversão da marcha, se comandarmos, acenderá o farol dianteiro se estiver andando para frente,  ou acionará o farol traseiro se mudarmos a direção, tocará o sino se acionarmos o botão do sino, e tocará a buzina se assim o quisermos e comandarmos, tudo funcionará normalmente a partir do momento que ligarmos a energia do nosso console.
Nos nossos controles de mão, temos normalmente 10 botões de função, mas as funções F1, F2, F8, F0, <, >, e parada de emergência, funcionarão normalmente para todos os decoders e do mesmo jeito em qualquer um deles. Os demais botões podem variar de decoder para decoder.
F3, por exemplo, em determinados decoders pode acionar um toque curto da buzina e em outros pode acionar o som de desengate.
F5 e F6, em alguns decoders podem acender os faróis auxiliares (Ditch Lights) em outros, pode servir para acelerar e desacelerar o som do motor sem alterar a velocidade da locomotiva.
Tudo isso é comandado pelos CVs e como eles são programados por cada fabricante ou pelo Ferromodelista.
Existem mais de mil CVs (1024 CVs segundo a norma S-9.2.2) que podem ser programados dentro da norma desenvolvida pela NMRA. 
Alguns deles são classificados como MANDATÁRIOS (M), alguns são classificados como RECOMENDADOS (R) e outros são classificados como OPCIONAIS  (O). 
Os Mandatários devem ser implementados pelo fabricante de modo a conformar o decoder e seu funcionamento, dentro de normas estabelecidas pelo padrão da NMRA.
Os Recomendados são fortemente encorajados a serem implementados conforme o padrão, mas não são Mandatórios, ou seja, o fabricante é encorajado a conformá-lo de acordo com o padrão, mas se não o fizer, o decoder só funcionará de modo diferente que o normal, mas não deixará de ser homologado pela NMRA.
Os Opcionais, são livres para serem implementados conforme o desejo do fabricante.
Muitos desses 1024 CVs que já existem estão reservados pela NMRA para uso futuro. Não são usados na configuração atual.
Tomemos como exemplo o primeiro CV disponível em um decoder, o CV#01 (Primary Address - Endereço Primário). Ele é um CV que determina o endereço inicial do decoder, é Mandatário e seu valor padrão é 3 (Três), ou seja, todo e qualquer decoder homologado pela NMRA terá o endereço inicial 03 (na Europa também se usa esse valor)
Mais tarde, podemos modificar o endereço dos nossos modelos, mas se resetarmos o decoder, ele estará novamente com o valor 03.

OS CVs E OS FABRICANTES DE CONTROLADORES E DECODRS

Os fabricantes de consoles DCC e decoders têm liberdade de tratar os CVs que não forem Mandatários conforme suas convicções. Até o procedimento de alteração deles são diferentes para cada fabricante.
O console da MRC, por exemplo, sempre que se entra no modo de programação,  nos apresenta uma interface mais amigável que nos leva a pensar que ainda não estamos mexendo em CVs, mas estamos.
Ao entrarmos no modo de programação da MRC ele nos pede inicialmente que estabeleçamos o Address (Endereço). Podemos imediatamente alterar o endereço de nossa locomotiva para quatro dígitos e isso é o mesmo que estarmos alterando os CVs #17 e #18 (Extended Address)  ou de optarmos por um endereço entre (0) e (127) estaremos atuando no CV#01 (Primary Address). Em seguida passamos ao Vstart. Isso é o mesmo que alterarmos o valor do CV#02. Depois nos passa para ACC (Aceleration Rate - CV#03) e depois passamos para DEC (Desaceleration Rate CV#04) e assim por diante até que finalmente nos apresenta a tela de manipulação direta dos CVs, onde você entra primeiramente com o número do CV desejado e em seguida coloca o valor que deseja para esse CV.
Em todo esse processo, ao mudarmos os valores de cada item, estávamos mexendo em CVs.
Quando apertamos um botão de função em nossos consoles, estamos manipulando dados dentro dos CVs dentro de nossos decoders.
Quando apertamos a função F0 (ligar faróis), ou qualquer outro botão de função de nossos consoles, estamos interagindo com os CV#33 a CV#46. Estes CVs fazem o mapa de funções do nosso decoder, que é previamente programado no decoder para que ele responda de acordo com o que desejamos. Mas como são CVs do tipo Opcionais, cada fabricante pode programá-lo de acordo com suas necessidades e por isso que o mapa de função de cada console ou decoder, pode variar de fabricante para fabricante.
Pode-se programar inclusive se um determinado botão pode funcionar como uma chave Liga/Desliga (Aperta/Liga - Aperta/Desliga - F1/F0 = Sino/Luzes) ou como um Push-Button (Aperta/Liga - Relaxa/Desliga - F2 = Buzina). Tudo isso é responsabilidade dos CVs.
Para manipularmos os CVs de num determinado decoder com segurança, precisamos obter o manual do fabricante deste decoder para aquela versão do nosso decoder, pois até para um mesmos fabricante as funções de cada CV podem variar. Procure o site do fabricante do decoder e busque o SUPORTE e encontre o Manual Técnico do decoder. Ele é primordial para uma atuação segura no decoder.
Um Lais DCC funciona diferente de um Tisunami, que funciona diferente de um Econami, que funciona diferente de Locksound, que funciona diferente de um Lenz.
Pode até ter alguns CVs com a mesma função, mas em termos de programação, podem haver algumas diferenças.

UMA PEQUENA EXPLICAÇÃO  SOBRE NÚMEROS BINÁRIOS, BITS E BYTES

Nós aqui no Brasil, no nosso dia a dia, trabalhamos com números decimais. Os números decimais têm base 10. Usamos algarismos de (0) a (9) e quando não temos mais algarismos para representar nossa contagem, adicionamos mais uma casa e começamos novamente com os algarirmos de (0) a (9) e assim temos que, cada vez que um algarismo adianta uma casa nesse sistema, ele é multiplicado por 10, portanto se colocarmos um número na primeira casa, ele toma a seguinte forma: (X) (o algarismo que está ocupando determinada casa), multiplicado por (10) elevado a potência referente ao número da casa, ou seja, a primeira casa tem potencia (0), a segunda casa tem potencia (1), a terceira potência (2) e assim por diante.
Quando escrevemos o número (1234 - hum mil duzentos e trinta e quatro unidades), na verdade estaremos escrevendo 1x10³ + 2x10² + 3x10¹ + 4x10° = 1x1000 + 2x100 + 3x10 + 4x1 (qualquer número elevado a zero é igual a (1)) = 1000 + 200 + 30 + 4 = 1234
No sistema decimal, cada posição (casa) pode receber algarismos de (1) a (9). Quando nossa casa está ocupada pelo número (9), para escrevermos o próximo número que seria (10), temos que abrir mais uma casa, ou seja, 1x10¹ + 0x10° = 10+0 = 10.
Porém, quando começamos a falar de CVs, precisamos também começar a falar de Números Binários.
O que são NÚMEROS BINÁRIOS?
Com números binários o sistema de escrita é idêntico aos números decimais, só que agora estaremos trabalhando com a base (2).
Um detalhe importante é que no sistema binário só podemos escrever algarismos (0) e (1). Podemos interpretar esses algarismos como Ligado (1) - Desligado (0), nivel Alto (1) - nível Baixo (0) e etc, sempre com apenas dois estados, sempre antagônicos. Não existe meio termo, não existe "mais ou menos". É sempre Verdadeiro (1) ou Falso (0).
Podem perguntar: Mas a base não é (2), porque não podemos escrever (2)? Simples! Porque o número (2) expresso nessa forma está na base decimal (2x10°) e não na base binária (1x2¹ + 0x2°).
Do mesmo modo que para escrevermos o número (10) no sistema decimal temos que abrir uma nova casa, no sistema binário, para escrevermos o número (2) vamos precisar abrir também uma nova casa. Um pouco complicado, não? Mas vamos seguir com a explicação.
Vamos lá! Já dissemos que no sistema binário, só podemos usar algarismos (0) e (1), então para escrevermos o zero basta colocarmos o (0) em nossa primeira casa (0x2° = 0x1 = 0) e para escrevermos o (1) colocaremos o algarismo (1) em nossa primeira casa (1x2° = 1x1 = 1).
Seguindo, vamos escrever o número dois. Como faremos isso? Como já dissemos antes, no sistema binário só usamos algarismos (0) e (1). Do mesmo modo que no sistema decimal, ao esgotarmos as possibilidades de algarismos em uma casa (0 a 9), temos que abrir uma nova casa para escrever o número seguinte (10).
No sistema binário, faremos o mesmo, abriremos uma nova casa. Então para escrevermos o número dois, usaremos duas casas. A representação do número dois no sistema binário será (10).
Caiu a casa!!! Como assim??? Não podemos escrever (2), mas podemos escrever (10)???
Observem que, como diz o sistema binário, só podemos usar algarismos (0) e (1) e é isso que que estamos fazendo. Então como fica essa representação?
Vamos lá! O número (10) em binário corresponde a 1x2¹ + 0x2° = 1x2 + 0x1 = 1 + 0 = 2.
Seguindo, vamos escrever o número três. Como seria?
Três, no sistema binário e representado pelo número (11), ou seja, 1x2¹ + 1x2° = 1x2 + 1x1 = 2 + 1 = 3.
Como vemos nossas duas casas binárias já estão ocupadas com algarismos (1) e não temos como colocar outros algarismos nelas, então para o nosso próximo número (4) temos que abrir uma nova casa, então o número quatro, no sistema binário, é representado como (100) - 1x2² + 0x2¹ + 0x2° = 4 + 0 + 0 = 4.
Estamos começando a ver uma certa tendência nesse nosso sistema de representação. A primeira casa representa o 2° a segunda, 2¹, a terceira 2² e seguindo com essa tendência teremos 2³ e assim por diante, até 2 elevado a 7, que é até onde nos interessa, por enquanto e vamos falar disso mais tarde.
Podemos deduzir que cada casa no sistema binário tem um valor máximo que é igual ao valor de 2 elevado ao número da casa que ele representa, indo de (0 a 7 (que é até onde nos interessa, por enquanto)) assumindo os valores 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, sempre representando uma potencia do número (2).
NR1 A título meramente ilustrativo, entre em seu computador e abra a calculadora do Windows e selecione e apresentação "PROGRAMADOR". 
Você verá que  ela mostrará, logo a baixo do display, as palavras:
HEX (Hexadecimal - Base 16)
DEC (Decimal - Base 10 - a que usamos normalmente)
OCT (Octal - Base 8)
BIN (Binário - Base 2). 
Digite um número qualquer (155 no nosso exemplo) e veja sua representação nos demais sistemas.
Clique também nos modos de representação e veja no visor e no teclado numérico a representação do número e os algarismos que são usados para cada sistema.

NR2 - Alguns podem perguntar: Para que  eu preciso saber disso? Isso tudo pode parecer sem necessidade, mas só parece estranho porque não usamos cotidianamente. Até há pouco não sabíamos o que era o sistema binário, mas como vamos precisar usá-lo, estamos conhecendo-o. 
Sistemas de escritas ou numeração diferentes podem não ser usáveis de imediato mas não custa saber do que estamos falando, pois podemos precisar deles mais tarde, como precisaremos do sistema binário para programar nossos CVs.
Os americanos e ingleses usam, ou usavam, sistemas de medidas diferentes dos nossos. 

Nós usamos o metro, quilômetro, décimo, centésimo, quilograma e litro. Eles usam pé, jarda, milha, meio, quarto, oitavo, dezesseis avos, onça, galão e polegada. 
Há algum tempo atrás, falar em décimo de polegada era palavrão para eles. 
Já notaram em filmes policiais a tradicional foto dos meliantes na delegacia. Existe uma régua de medida atrás deles que em nada se assemelha a alguma coisa que tenhamos noção. 
Dizer que uma pessoa tem cinco pés, seis polegadas e alguns avos de altura é palavrão para nós, mas dizer que uma pessoa mede 1,70metros também é palavrão para eles. 
Portanto, pode parecer estranho inicialmente, mas com o uso vamos nos acostumando e não ficará tão estranho.

BITs, BYTEs E CVs

Chegamos ao ponto em que vamos começar a falar de Bits e Bytes e CVs.
Em Eletrônica/Informática, essas casas que representam o números binários (0) e (1) são chamados de BITs.
Um BIT é uma casa de um número binário em que só podem existir algarismos (0) e (1) e esses bits são ditos que vão de 0 a um valor qualquer, dependendo da extensão do nosso número.
Então temos o Bit0, Bit1, Bit2, o Bit3 sempre lidos da direita para a esquerda representando os valores 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64 e 128..., que são correspondentes às potências de 2 elevados ao número do BIT correspondente.
Um número binário ou conjunto de oito BITs é denominado BYTE.
Sempre que falarmos em Bytes, estaremos nos referindo a um conjunto formado por oito Bits. Então o número binário (10011011), com oito bits, representa um BYTE.
Que números podemos escrever dentro de um Byte?
Um byte pode representar 256 números que vão de (0) a (255). O número binário apresentado mais acima (10011011), será traduzido como: 128 + 0 + 0 + 16 + 8 + 0 + 2 + 1 = 155, na base decimal.
Se todos os seus bits fossem (1) seu valor seria 255 e se fossem (0) seu valor seria zero, naturalmente.
Já perceberam onde estamos chegando? Não? então vamos prosseguir.
Para que possamos programar ou interagir como funcionamento de  um decoder usamos os CVs que tem a forma de um BYTE, ou seja um número binário com oito BITs.
Os CVs são dados e/ou parâmetros que, ou já estão programados dentro dos decoders, ou precisamos programar para que o nossos modelos funcionem da maneira que desejamos.
Um CV tem oito casas que devemos preencher com (0) e (1), portanto, corresponde a um BYTE, ou seja, corresponde a oito BITs nos quais programaremos ou colocaremos os dados que queremos usar para interagir com nosso modelo.
Um sistema DCC é composto por uma estação de controle, que fica do lado de fora da maquete e o decoder que fica dentro da locomotiva.
Tanto o console quanto o decoder são micro computadores independentes que servem para controlar o nosso sistema DCC.
No nosso console, fora da maquete, o micro computador interno interpreta nossos comandos e os codifica em um sistema de dados que o micro computador do decoder possa entender.
Esses dados são chamados de PACKETS (Pacotes) que são enviados através dos trilhos para o decoder dentro da locomotiva que os decodificará e agira conforme as instruções recebidas e de acordo com os CVs programados anteriormente dentro dele.
Bachmann EZ-Command
Tomemos um console bem simples como o EZ Command da Bachmann .
Tudo muito simples. Uma fonte de alimentação, um cabo de força para ligar aos trilhos, um painel com um botão de parada, dois botões de direção, um botão de função, 10 botões de endereçamento direto das locomotivas a serem controladas e o botão de ajuste de velocidade.
Seleciona-se a locomotiva a ser comandada, seleciona-se a direção, ajusta-se a velocidade e o console começa a mandar pacotes para o decoder que ajusta seus dados de acordo com essas instruções e interage com a locomotiva
NCE Power Cab
até que um novo botão seja apertado e novo pacote de instruções seja enviado e seja necessário novo ajuste no decoder ou que um novo decoder seja acionado.
É assim que funciona, bem simples não?
Mas os consoles vão se sofisticando e sofisticam-se os decoders e mais botões surgem nos consoles e novas funções são implementadas nos decoders e mais complexo vai ficando a operação mas no "frigir dos ovos", depois de comandada uma operação é assim que funciona.
Vejam ao lado os consoles mais populares da NCE e da MRC. Parecem complexos, não?
MRC Prodige Advanced Squared 2
Mas posso garantir que seu funcionamento é o
mesmo que acontece no console da Bachmann, bem mais simples.
A diferença é que os dois últimos têm muito mais capacidade de se configurar os CVs e com isso, conseguem extrair muito mais desempenho dos nossos modelos que o console da Bachmann.
Todo o segredo está nos CVs!!!!!
Como os CVs fazem isso?
Pois bem, os CVs fazem isso de diversas maneiras.
Se tomarmos como exemplo o CV#01, veremos no manual do decoder que ele aceita valores de (0 a 127).
O que isso quer dizer?
Pois bem. Este é um CV do tipo Mandatário (tem que seguir a especificação da NMRA), e seu valor inicial é 03, mas pode ser modificado e com valores que podem variar de 1 a 127.
Este CV interage diretamente com mais dois outros CVs, (CV#19 (Consist Address) e CV#29 (Configuration Data 1).
Diz ainda a especificação que o decoder irá processar todo e qualquer Pacote de instruções para o endereço contido no CV#1, quando o bit5 do CV#29 estiver setado com o valor (0).
Se o CV#1 for setado para um novo valor, isto fará com que  o CV#19 (endereço de Consist) seja setado para (0) e o bit5 do CV#29 para (1).
O Bit5 do CV#29 deve ser setado para (1) de modo a que o valor setado no CV#1 possa ser mudado em "Modo de Operação". Setando o bit5 do CV#29 de novo para (0), isso fará com que o decoder reconheça o novo endereço primário.
Vejam que no CV inicial de nosso sistema já há uma interação com mais dois outros CVs (CV#19 e CV#29) Isso é transparente para nós. O importante aqui é saber que o CV#01 indica o endereço inicial da nossa locomotiva e a partir dele é que todo o sistema começa.
NR - Vale ressaltar que o CV#1 tem, como todos os CVs, oito bits, mas somente sete bits são usados (bits 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6). O bit 7 (oitava posição) não é usado e portanto sempre estará com valor (0), daí no CV#01 podemos somente colocar dados que variam de 1 a 127. 
Para colocarmos endereços com mais de 3 dígitos, já estaremos em outro nível, interagindo com outros CVs (falaremos disso mais tarde).

Um outro modo de funcionamento de um CV, mais direto, é servir como uma espécie de memória para um determinado valor. Coloca-se esse valor no CV e o micro processador do decoder, usa esse valor para ajustar os parâmetros que vai usar para determinadas funções.
CV#02-(Vstart), CV#03-(Aceleration Rate), CV#04-(Deceleration Rate), CV#05-(Vhigh), CV#06-(Vmid), são exemplos de CVs que trabalham desse modo. Geralmente os valores colocados neles (0 a 255) entram em uma fórmula do tipo usado para o CV#02 (Vstart):
Voltagem de partida = Voltagem da fonte interna do decoder 
(pode chegar a 20V, mas normalmente é 14V) 
vezes o valor colocado em CV#02 (0 a 255)  
dividido por  255
que vai definir o valor de tensão que o decoder usará para o funcionamento do motor no Step 1.
No exemplo acima, o CV#02 é normalmente setado na fábrica com o valor (0), então o resultado dessa fórmula é ZERO.
Mas se tivermos uma locomotiva em que o motor precisa de uma voltagem maior para dar a partida (por exemplo 5V para uma tensão da fonte interna do decoder de 14V) teremos que colocar no CV#02 o valor entre (91 ou 92) pois:
(14 x 91 ou 92) : 255 = 4,99 ou 5,05V
Este valor de tensão será enviado ao motor quando colocarmos o botão de velocidade no Step 1. Conjugando o ajuste de CV#02-(Vstart), CV#05-(Vhigh), CV#06-(Vmid), podemos ajustar a curva de performance de um motor de modo a que ele fique o mais linear possível, melhorando o desempenho de nosso modelo (veja figura abaixo).
Alguns CVs são do tipo "Read Only" (Somente para Leitura). São setados de fábrica com um determinado valor e esse valor não pode ser mudado, dependendo do valor, resetam o decoder para os valores de fábrica.
É o caso do CV#07 (Manufacturer Version - Versão do Software do Fabricante) que é ajustado na fábrica com o valor (70 - Soundtraxx Econami). Também é o caso do CV#08 (Manufacturer ID - Identificador do Fabricante) que é setado na fábrica com o valor (141 - Soundtraxx Econami), mas se for reajustado para um valor entre (8) e (13)* provocará o reset do decoder, segundo uma tabela que pode ser vista no manual do decoder.
O valor (8) colocado nesse CV, fará com que todos os CVs do decoder retornem aos valores de fábrica, que normalmente nos salva de um ajuste desastroso ou incorreto.
(*) O manual mostra a tabela com valores somente entre 8 e 12, então pode ter havido em algum lugar, um erro de impressão.

Outros tipos de CVs são aqueles que trabalham em pares. É o caso dos CV#17 e CV#18. Eles trabalham em pares e armazenam os dados para que possamos identificar nossos modelos com números de (0000 a 9999).
NR - O jeito de trabalhar com esses CVs é um tanto complicado e normalmente é mais fácil usar o roteiro do nosso console para ajustarmos o endereço de quatro dígitos que colocaremos na nossa locomotiva. Desse modo, todos os ajustes necessários são feitos automaticamente e não precisamos nos preocupar com mais nada a não ser o endereço que colocamos na locomotiva para podermos selecioná-la mais tarde. 
Normalmente usamos o número estampado na cabine da locomotiva para identificá-la.

Um outro modo dos CVs trabalharem é selecionar um ou mais Bits de um Byte para funções especiais.
O CV#19 (Consist Address - Endereço do Consist) funciona desse modo. Nesse CV os bits (0) a (6 ) do CV servem para setar o endereço do Consist que pode ser colocado entre 0 e 127 (número binário com sete bits) e o bit (7) serve para indicar a direção da locomotiva ((0) direção normal (de frente) - (1) direção invertida (de ré)).
NR - Neste mesmo Blog, quando falamos sobre Bits e Bytes, dissemos que um bit só pode ter valores entre (0) e (1) e que esse valor deve ser multiplicado pelo valor da posição relativa do Bit dentro do Byte. Então no caso do CV#19, o bit 7, que recebe o nome de CDIR (Consist Direction), quando for setado (for colocado (1) em sua posição) somará 128 unidades ao endereço escolhido para o Consist, ou seja, se numerarmos um Consist de duas locomotivas com o número (100), o CV#19 da locomotiva frontal deverá receber o valor (228) (100 do Consit + 128 da direção a frente) e o CV#19 do decoder da segunda locomotiva deverá receber o valor (100) (100 do Consist + 0 da direção a ré).

Manipular os CVs nos permite ajustar os parâmetros de nossos modelos para que eles funcionem do jeito que queremos.
Quando colocamos duas, ou mais locomotivas, em Consist, apenas numerando esse Consist, com um novo endereço, a operação das locomotivas seguirá a programação que elas tinham quando funcionavam sozinhas, mas imaginemos que colocamos duas locomotivas engatadas de ré e queremos que apenas os faróis frontais das duas acendam e sempre e somente naquela que  estiver andando para frente. Imaginemos que queremos que somente a buzina ou o sino da locomotiva frontal toque quando necessário. Podemos fazer isso manipulando os CVs das locomotivas envolvidas de modo a inibir essas funções quando não desejadas. Veja o manual do fabricante do decoder para saber como fazer esses ajustes.

MAPAS DE FUNÇÕES

Os CVs são tão poderosos que, através deles, podemos mudar o modo como os botões de função do nosso console funcionam.
Os CVs #33 a #46 (Function Status - Estados das Funções) fazem esse serviço.
Cada um deles está designado para atuar referente a um botão de função (F0 a F12) e para cada um deles é designado um  valor que ajusta a sua função. Veja o mapa abaixo.
Por exemplo. Para o botão de função F0 (Liga/Desliga os faróis) dois CVs são designados para esse botão. CV#33 comanda o farol dianteiro e CV#34 comanda o farol traseiro. Esses dois CVs precisam ter valores (1) para o farol dianteiro e (2) para o farol traseiro. Outros valores possíveis são:
(4) - Buzina, (8) - Sino,  (16) - Saída FX3, (32) - Saída FX4, (64) Freio Dinâmico, (128) - Buzina Curta.
Esses valores são usados para todos os CVs envolvidos, porem nem todos os botões podem assumir todas as funções que podem ser dignadas, havendo um escalonamento entre eles. Devemos consultar o manual do decoder para configurá-los corretamente.
NR - É importante saber  com qual a versão do software que o decoder está programado, pois mesmo em decoders com a mesma marca isso pode levar a métodos diferentes de programarmos os decoders. 
As informações acima se referem ao decoder Soundtraxx Econami 100 com software versão 1.3. 
O Soundtraxx Econami 200 PNP já incorpora a versão 1.4 do software e o método de programação do Mapa de Funções é bastante modificado, ficando mais simples de programar os botões, mas envolvendo CVs diferentes dos que são usados na versão 1.3 do software (ele utiliza uma tabela indexada para o mapa de funções e os CVs envolvidos vão de #257 a #322) .

EFEITOS LUMINOSOS

Em muitas fases desse relato, mostramos que alguns CVs são relacionados a outros CVs para que sua função seja plenamente executada.
Acima falamos que a função F0 está ligada ao CV#33, então dissemos que para a função F0 funcionar como F0 (acender o farol) o CV#33 precisa estar setado com o valor (1) ou (2).
Mas como esse farol será aceso? Que efeito terá esse farol? Piscará? Oscilará? Funcionará como um "Strobo Light" simples, ou como um "Strobo Light" duplo?
Pois bem, para cada um desses efeitos existe um valor em uma tabela, que deverá ser colocado em um CV específico, que deverá estar relacionado ao botão de função que acionará o efeito.
Para o botão F0, o farol dianteiro é relacionado ao CV#49 e para o farol traseiro o CV#50.
Para o botão que aciona os faróis auxiliares (FX3 e FX4 - F5 e F6, normalmente) os CVs #51 e #52. Alguns decoders têm mais duas saídas de efeitos luminosos (FX5 e FX6) que podem ser designadas para qualquer botão de função no nosso console, mas  normalmente são associados aos botões F5 e F6 também, em decoders mais comuns (com apenas duas saídas FX).
Esses CVs (#49 a #54) são formatados da seguinte forma:
Os bits (0) a (4) são reservados para os valores que selecionarão os efeitos que serão colocados em cada saída de luz do decoder. São cinco bits envolvidos e isso nos dará 32 efeitos possíveis, mas nem todos os valores são usados em todos os decoders. Já encontrei decoderes com 25 efeitos e outros com menos como o da tabela ao lado.
O bit (5), denominado PHSE (Fase) serve para determinar a fase do efeito em relação a um outro CV do mesmo tipo ou correspondente.
O bit (6), denominado XING (Grade-Crossing Logic) aciona o efeito de piscar os faróis ao acionarmos a buzina ao passar em uma passagem de nível.
O bit (7), denominado LED (LED Compensation Mode) serve para alterar o método de envio de corrente à saída de modo a balancear os níveis de luminosidade entre LEDs e Lampadas Incandescentes.
Vamos falar, como exemplo, do efeito que pisca os faróis auxiliares (FX3 e FX4) ao acionarmos a buzina (Grade-Crossing Logic), que podem ser implementadas com os CVs #51 e #52 no Soundtraxx Econami. Isso requer o efeito Ditch Light Tipo I e o valor para isso é (9). Então, colocando o valor (9) nos CVs #51 e #52 eles acenderão.
Para acrescentarmos o efeito Grade Crossing Mode, (piscar com o acionamento da buzina), devemos setar o bit (6) XING.
Note que o bit (6) quando é setado, acrescenta (64) unidades ao byte então valor a ser colocado nos devidos CVs deve ser (9) do efeito Ditch Light, somado a (64) (do efeito XING) que nos dá (73).
Mas se assim procedermos, os dois faróis piscarão em sincronismo  e não é isso que queremos. Queremos que os dois pisquem alternadamente. Para acertar isso devemos usar o bit (5) PHSE.
O bit (5) PHSE inverte a fase do efeito, ou seja, quando deveria acender ele apaga e vice-versa. Mas se setarmos os bits (5) dos dois CVs, ele continuarão em sincronismo, então devemos setar apenas um dos bits PHSE dos dois CVs e com isso teremos os dois faróis auxiliares piscando alternadamente quando acionamos a buzina da nossa locomotiva.
Note também que, do mesmo modo que o bit (6), esse bit setado, soma um valor fixo ao CV (o valor é 32) que deverá ser somado ao valor anterior de um dos CVs, permanecendo o outro CV com o valor anterior. Então, un dos CVs ficará com o valor (73 - 9 do efeito + 64 do XING) e o outro CV terá o valor (105 - 9 do efeito + 64 do XING + 32 do PHSE)
Ainda relacionado a esse efeito luminoso, temos o CV#60 (Grade-Crossing Hold Time) que ajusta o tempo em que o efeito nos faróis auxiliares ficará ativo. Temos quatro bits disponíveis (bits (0) a (3)) que nos dá uma contagem de 0 a 15 (segundos). Os demais bits do CV são zerados (não são usados).
Tudo o que falamos acima está relacionado aos CVs #51 e #52, mas não é interessante que para acionarmos dois faróis que funcionam em conjunto, tenhamos que acionar dois botões de função (F5 e F6). Precisamos mudar o mapa de funções para que os faróis auxiliares possam ser acionados por apenas um botão de função. Como fazer isso?
No mapa de funções (ver tabela acima) podemos ver que os botões de função F5 e F6 estão associados aos CVs #39 e #40. Vamos escolher um deles (F5 por exemplo). F5 está associado ao CV #39 cujo valor (2) aciona a função. Para o CV#40 que aciona a saída FX4 devemos colocar o mesmo valor (2) para que seja agora acionado pelo botão de função F5, também.
O botão F6 agora fica sem função até que designemos nova função para ele.
Nota Importante - Isso se  refere apenas ao decoder em que estivermos trabalhando ou esteja instalado na locomotiva que estamos trabalhando. Ao selecionarmos uma outra locomotiva, ou um outro decoder, o nosso console trabalhará normalmente, de acordo com os parâmetros  que estiverem definidos nesse novo decoder, pois o mapa de funções para um determinado decoder fica armazenado no decoder e não no console.

UM OUTRO JEITO DE MANIPULARMOS CVs

Um jeito também interessante de se trabalhar com CVs eu encontrei em uma locomotiva Atlas Golden Series SD24 equipada com um decoder QSI Quantum System Q1a Sound Decoders.
Eu comprei essa locomotiva para modelar a nossa SD-18 da RFFSA, mas a SD-24 tem o som de  motor Turbo e a SD-18 da RFFSA tem motor Aspirado e não tem o som do Turbo.
Neste decoder os diversos sons estão colocados e registros diferentes e podem ser ajustados individualmente (para minha sorte) bastando para isso ajustarmos alguns CVs, mas não existe um CV individual para cada som e sim um CV para selecionar os sons e outro Cv para ajustar o volume desse som. Os sons são ajustados da seguinte forma.
Primeiramente precisamos consultar o manual do decoder e achar uma tabela de valores específicos que devem ser colocados no CV#49. O CV#49 seleciona apenas que som vamos ajustar.
Em seguida devemos acionar o CV#52 e aí colocar o nível de som que queremos para o nosso decoder. O CV#52 ajusta apenas o volume de cada som selecionado pelo CV#49.
Os valores para esse CV variam de (0) a (15), sendo (0) correspondente a nenhum som e os incrementos de (1) a (15) aumentam o som em 2dB (decibels ou decibéis)*
É como se tivéssemos uma chave seletora representada pelo CV#49 e um botão de volume representado pelo CV#52.
(*) dB (Decibels ou Decibéis) é uma escala logarítmica usada para medir potencia de sons e outras grandezas. A escala logarítmica é mais usada quando há grandes variações entre as grandezas medidas. Uma variação de apenas 3dB entre dois eventos, significa que um evento é o dobro do outro.

Quando se quer, podemos dizer, "customizar" o funcionamento de um decoder ou uma locomotiva equipada com um determinado decoder e é sempre interessante e divertido fazermos isso, precisamos ser minuciosos em escolher nossos parâmetros e não é uma instalação básica que vai nos dar essa diferenciação. Temos que ir fundo em nossas escolhas e se não soubermos como, procurar aprender como se faz.
É o mesmo caso de comprarmos uma estrutura para nossa maquete e a colocarmos sem pintura, com as cores vinda de fábrica, em nossas maquetes. Não terá o mesmo brilho que se fizermos a sua pintura, detalhamento e envelhecimento.
Será uma peça única, diferente de todas as outras o que tornará nossa maquete também única, diferente de todas as demais.


Por enquanto é só, Amigos. Espero que tenham gostado e consigam tirar proveito desse texto.

Até uma próxima postagem

J.Oscar







terça-feira, 4 de outubro de 2016

USANDO O MRC AD-520 - MÓDULO AUTOMÁTICO DE REVERSÃO

Olá Amigos!

Vou tentar falar hoje sobre um assunto muito complicado na construção de uma maquete ferroviária.
O assunto já é complexo quando falamos de construir uma maquete no sistema DC e, aparentemente, ficaria mais complicado ainda, quando falamos do sistema DCC.
Estamos falando da construção de PERAS e TRIÂNGULOS.

O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM AS PERAS E TRIÂNGULOS
Para aqueles que são iniciantes no Ferromodelismo, as Peras e os Triângulos  são estruturas existentes nas ferrovias que servem para fazer a inversão de locomotivas, ou trens completos.

GLOSSÁRIO DE TERMOS FERROVIÁRIOS  
(http://www.alaf.int.ar/publicaciones/glossario.pdf)
• PERA: - Via férrea acessória (de traçado curvilíneo ou mistilínio) destinada a inverter a posição do trem por marcha direta. 
• TRIÂNGULO: - Três linhas ligadas em forma de triângulo por meio de chaves, permitindo a inversão de trens ou veículos. 
• TRIÂNGULO DE REVERSÃO: - Conjunto de três vias férreas formando triângulo com dois lados curvelíneos, completados pelo chicote e destinado a inverter a posição do trem ou veículo, mediante manobra. 

EXEMPLOS DE PERAS E TRIÂNGULOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Pera de Carregamento na ilha de Guaíba em Mangaratiba/RJ, terminal da Minerações Brasileira Reunidas - MBR/MRS
Pera de Carregaemento dupla do Porto de Sepetiba - Itaguaí/RJ
Pera de reversão no Pátio do Arará no Porto do Rio de Janeiro - MRS
Triângulo na Estação de Deodoro, Rio de Janeiro - RJ. Este triângulo é formado pelas linhas do Ramal de Japeri (para cima) e o Ramal de Santa Cruz (à esquerda). A estação de Deodoro fica a direita na parte inferior da foto.
Triângulo na Estação de Japeri - RJ. Este triângulo, por suas dimensões deve servir apenas para inversão de locomotivas ou trens pequenos, pois parte de suas linhas parecem ter sido erradicadas.
As Peras ocupam uma área considerável e normalmente são instaladas em terminais  de linha (Peras de Reversão e Carregamento) e os Triângulos, que ocupam uma área bem menor, podem ser vistos em junções de ramais, como os de Deodoro ou em estações onde não há um Girador de Locomotivas ou Pera de reversão.
Meu querido Pai, quando visitamos sua terra natal, Miracema - RJ há alguns anos atrás, me falou de um um local conhecido como Rotatória, que ficava próximo a antiga estação ferroviária de Miracema, que hoje funciona como Rodoviária.
Imagens da estação de Miracema - RJ.
Imaginando o que poderia ser, fomos lá ver o local e encontramos uma grande área com casas populares, limitada por uma estrada circular, onde certamente ficava a linha férrea que girava o trem depois que este chegava a estação da cidade e iniciava sua viajem de volta.
Não existia mais nada que pudéssemos ter visto que nos remetesse a sua antiga função, mas pelo que meu Pai me contou, no local realmente ficava uma Pera de reversão.

IMPLEMENTANDO UMA PERA OU UM TRIÂNGULO NA MAQUETE
Por suas características e apesar das área necessárias para suas instalação, as Peras são mais fáceis de instalar pois usam apenas um desvio (AMV), já os Triângulos precisam de três desvios (AMV) para sua implementação, apesar de exigir uma área menor para sua implementação.
Nesse projeto para uma maquete para um quarto de doze metros quadrados, foram colocados uma pera de reversão e um triângulo.

Podemos ver a Pera de reversão à esquerda do desenho em um nível superior da maquete e o Triângulo de reversão, mais ao centro do desenho, no nível mais baixo. 
Devido às características do espaço disponível no quarto, não há muita área para circulação dos trens e optou-se por uma maquete mais para manobras, mas ainda com um pequeno trecho para circulação, mesmo que uma certa parte esteja coberta pela parte elevada da maquete, mas ainda assim há um bom trecho onde se pode ver os trens circulando.
Mas o grande problema de se implementar uma Pera ou um Triângulo de reversão em uma maquete está no fato de sempre haver uma inversão da polaridade dos trilhos entre a linha de entrada e a linha de saída da estrutura.

PERAS DE REVERSÃO
No sistema DC, onde existe realmente um trilho positivo e um trilho negativo, o problema fica mais perceptível. Veja o desenho abaixo.
Observe que se seguirmos os trilhos da direita para a esquerda, entrando pela linha reta do desvio, depois de feita a curva, ao chegarmos novamente ao desvio, aí podemos observar que os trilhos de saída do desvio estão invertidos em relação aos trilhos que saem da pera, com o trilho positivo do desvio ligado ao trilho negativo da pera e vice-versa. Se prosseguirmos com o trem nessa condição, ao passarmos com o primeiro truque do trem pela emenda, haverá um curto circuito com o motor da locomotiva sendo alimentado com tensões de polaridades diferentes, através do truque dianteiro e traseiro. Isso fará com que o trem pare seu movimento e o controlador acusará um curto circuito.
Como solucionamos esse problema?
Uma das maneiras de solucionarmos esse problema é usando duas chaves reversoras, sendo a primeira a chave reversora de polaridade do próprio controlador e uma segunda chave para invertermos a polaridade dos trilhos dentro da pera. Isso também exige uma parada do trem dentro da pera.

No esquema acima, podemos ver o arranjo para operação da Pera com uma chave de reversão adicional para a linha interna da Pera. 
Devemos inicialmente posicionar as duas chaves de modo que o trem entre pela linha reta do desvio e quando trem estiver totalmente dentro da Pera, devemos fazer uma parada da composição e inverter a chave interna do controlador DC. Com isso nosso trem tenderá a voltar de ré pela linha reta do desvio, mas se acionarmos a chave de reversão da Pera nosso trem continuará a andar para frente e passará normalmente pela linha curva do desvio, invertendo seu sentido quando finalmente sair da Pera.
Outro método de alimentação da Pera no sistema DC é fazer a alimentação do trecho isolado através de diodos retificadores, como pode ser visto no esquema abaixo.
Quando entrarmos na Pera pela linha reta do desvio, os diodos retificadores colocados em paralelo com o isolamento farão a alimentação da linha pois estarão polarizados diretamente. Os diodos colocados na linha curva do desvio, no final da Pera, estarão polarizados inversamente.
Para sairmos da pera, precisaremos inverter a direção do controlador através de sua chave de reversão e nesse momento passaremos a alimentar a Pera através da linha curva do desvio, pois nesse momento os diodos colocados na saída estarão polarizados diretamente e os na linha reta estarão polarizados inversamente.

DESVANTAGENS
Para realizarmos essa operação, também é necessário que realizemos uma parada da composição dentro da Pera e outra desvantagem é que cada diodo acrescentado no circuito em c ada momento, reduz a tensão de alimentação em 0,6V e como temos dois diodos atuando em cada operação, há uma redução total de 1,2V, portanto haverá uma diminuição na velocidade do trem assim que ele passar os pontos de isolamento.
Outro ponto que podemos citar como desvantagem é que para uma operação mais segura devemos sempre optar por um sentido de entrada na Pera. Pelo fato de a operação ser complicada, facilita quando optamos por um sentido de circulação, pois de outro modo, a operação fica mais difícil e também, não muito realista, no meu modo de pensar.

TRIÂNGULO DE REVERSÃO
Do mesmo modo que as Peras, o Triângulo é um arranjo de linhas que, entre outras finalidades, serve para reverter uma locomotiva e, dependendo de suas dimensões, um trem inteiro.
O trem ou composição entra no Triângulo pela linha reta, vindo da direita para a esquerda. Depois de ultrapassar o segundo desvio (AMV) trem ou composição para e reverte a marcha para acessar a segunda perna do Triângulo (pela linha curva do desvio), até a linha reta depois do terceiro desvio (AMV), onde novamente para e reverte a marcha para seguir pela linha de saída. Nesse ponto podemos observar que essa linha, do mesmo modo que na Pera de reversão, está invertida em relação ao trecho curvo do primeiro desvio (AMV), o que, como no cado da Pera, provocará o travamento da locomotiva e curto circuito no controlador de velocidade.
As soluções para os problemas do Triângulo são as mesmas usadas para o caso das Peras, ou seja, o uso da segunda chave de reversão ou o uso de diodos retificadores como pode ser visto nas fotos abaixo.
Seja com o uso da segunda chave de reversão ou dos diodos retificadores os procedimentos de operação são os mesmo, com ambos necessitando de uma parada dentro da Pera e, no caso dos diodos, a desvantagem da tensão de alimentação e por conseguinte, a velocidade do trem dentro do Triângulo ficar reduzida, são idênticas aos casos anteriores.

IMPLEMENTANDO TRIÂNGULOS E PERAS NO SISTEMA DCC
No sistema DCC, a implementação de Triângulos e Peras segue a mesma sistemática do sistema DC, com o mesmo formato, e a necessidade do isolamento duplo no trilho de saída, porém, devido ao fato de a alimentação no sistema DCC ser com corrente alternada, não existe fios positivos ou negativos para nos preocuparmos.
Com a corrente alternada, a polaridade dos fios se alternam a cada momento (dependendo da frequência da onda), então ambos os fios serão positivos e negativos ao longo do tempo e não tem como controlarmos isso ou usarmos a nosso favor, a princípio. Veremos mais adiante que isso é melhor que no caso DC.
Há algum tempo eu vinha pensando e tentando entender como isso é resolvido eletronicamente no sistema DCC.
Não tem como inverter a polaridade da alimentação, pois a alimentação já faz isso a cada momento, sem que a locomotiva se importe com esse fato (corrente alternada - lembra-se!).
Não tem como inverter a direção do trem, pois isso só é feito pelo decoder, por meio de um comando digital que já está selecionado e indicado pelo controlador.
Era um grande mistério para mim e continuava me atormentando até que, quando comprei o meu MRC AD-520 para testes, uma luz se acendeu em meu cérebro.
Não tem nada a ver diretamente com a polaridade da alimentação e sim, e somente sim, com a inversão dos fios que alimentam os trilhos.
Um modo simples de entender e comprovar isso todos nós podemos fazer com nosso sistema DCC, bastando colocar uma locomotiva DCC sobre os trilhos e fazê-la andar em uma direção (para frente, por exemplo). Em seguida desligamos o controlador e invertemos os fios que o ligam à maquete. Ligamos novamente o controlador e sem acionar nenhum outro comando fazemos a locomotiva andar e, magicamente, ela vai andar para frente, como estava comandado anteriormente.
Mais ainda: Podemos desligar o controlador e inverter a locomotiva, mantendo a ligação dos fios do controlador. Ao religarmos o sistema, a locomotiva continuara andando para frente, direção que estava programada anteriormente, não importando que a tenhamos invertido fisicamente.
Como explicamos isso? Muito simples!
Para o decoder DCC, não importa como a linha está ligada, nem em que direção a locomotiva está posicionada. Se o decoder já estiver programado em uma direção, ela vai continuar andando naquela direção sempre que o controle de velocidade for acionado, ou até que haja um novo comando que indique outra direção para ela.
Assim sendo, quando invertemos os fios que alimentam a locomotiva ela sempre ira  usar o último comando de direção que recebeu, não importando como tenhamos colocado a locomotiva na linha, nem como tenhamos ligado os fios de alimentação da maquete ao controlador DCC.
O esquema acima, exemplifica essa situação e a atuação do Modulo Automático de Reversão.
Quando o controlador estiver ligado ao trilho inferior e a locomotiva estiver direcionada para a esquerda (de frente), a seta a ponta a direção para a qual ela irá.
Ao chegar ao final da Pera, ou linha de saída do Tri|ângulo, podemos observar que as cores dos trilhos são incompatíveis com as cores do trilho de entrada, mas se invertermos a chave para a posição superior, vejam que a alimentação do fio verde passa a ser ligada ao trilho laranja e a do fio laranja, possa a ser ligada ao trilho verde.
Para a locomotiva DCC, como vimos anteriormente, isso é irrelevante. Não importa em que trilho a alimentação está ligada, pois ela sempre vai andar para frente até que recebe um comando para mudar de direção.
É isso que faz o Módulo de Reversão Automática da MRC, AD-520.

MRC AD-520 
Ao lado podemos ver o folheto de instruções que acompanha o produto.
As instruções são simples e fáceis de serem seguidas.
O módulo tem quatro fios, sendo dois Vermelhos, que devem ser ligados á linha de entrada de alimentação da maquete ou da Pera ou Triângulo e dois fios Amarelos que devem ser ligados ao trecho isolado da linha da Pera ou Triângulo.
Nota Importante - Lembre-se sempre que é necessário fazer o isolamento nos dois trilhos e na entrada e saída da Pera ou do trilho de saída do Triângulo.
Não tem posição. Qualquer um dos fios podem ser ligados a qualquer um dos trilhos correspondentes, sendo apenas necessário respeitar as cores (vermelho para entrada e amarelo para saída.
Não necessita de ajustes.
Durante a operação ouve-se um pequeno "Click" de atuação do relé.
A locomotiva, em velocidade mínima, não dá nenhum sinal ou solavanco, não observa-se nenhuma luz piscando ou diminuindo o seu brilho e o som, se existir, não é afetado.

OUTROS FABRICANTES
Cada Fabricante tem o seu modelo de Auto Reverser.
O da Digitrax chama-se Digitrax AR-1
(http://www.digitrax.com/static/apps/products/autoreversing/ar1/documents/AR1.pdf) e é um pouco mais complexo que o da MRC.
A NCE anuncia em seu site a pré produção de um equipamento igual com o nome de AR-10.
(https://ncedcc.zendesk.com/hc/en-us/articles/203171505-AR10-Pre-Production-Sample). 
Outros fabricantes também têm o seu produto, cada um com suas características e qualidades. Citei apenas os mais utilizados aqui no Brasil.
Muitos equipamentos com essa função são associados a Circuit Breakers, que são placas que protegem sessões isoladas da maquete, para que um  curto circuito, em uma região, não afete as demais, mas isso pode ser assunto para um outro Blog, quando houver mais dados.
O AD-520 da MRC é um circuito simples, fácil de instalar e funciona muito bem.
Ainda pode ser encontrado aqui no Brasil, a venda na Brasil Hobbies, ao preço de R$ 199,90
(http://brasilhobbies.appsisecommerce.com.br/produto/auto-reverse-mrc-para-inversao-de-polaridade-mrc-ad520/37925) .

Por enquanto é só, Amigos. Espero que tenham gostado e consigam tirar algum proveito desse texto.

Até uma próxima postagem.

J.Oscar






domingo, 14 de agosto de 2016

FRATESCHI AC 44i - CONTINUANDO COM O ECONAMI

Olá Amigos!

Nos dois últimos Blogs, comecei a explanar a colocação de um decoder Econami em uma Frateschi AC 44i, mas um acidente me fez perder o decoder e tive que parar a narração até a compra de um novo decoder.
Na Brasil Hobbies não está mais disponível o decoder Econami Eco-100, mas tem o decoder Econami Eco-200 e está custando R$ 369,90. 
A foto dele pode ser vista abaixo.
Ele não vem com o plug padrão de 8 pinos, mas somente com os fios, com as cores padronizadas (com algumas inovações descritas nos Blogs anteriores), destinados a uma instalação mais geral, onde o modelista pode fazer as ligações das funções que desejar.
Eu prefiro esse tipo de montagem, pois me dá mais liberdade, mas tem suas particularidades e perigos, principalmente no que tange aos cuidados com as pontas de fios desencapados durante a montagem.
Foi uma dessas pontas desencapadas que causou o acidente e a destruição do decoder que eu estava instalando anteriormente. Um  pequeno descuido e um dos terminais do auto falante encostou em um trilho energizado da linha de testes e o decoder foi para o brejo. Portanto, Amigos, muito cuidado quando manusear decoders com essa configuração. 
O decoder Econami Eco-200 é idêntico ao decoder Econami Eco-100 que eu usava anteriormente, em termos de funções e desempenho, com a pequena diferença de que o Eco-200 tem uma capacidade de corrente na saída para o motor de 2A (dois Amperes) em lugar de 1A (um Ampere) do Eco-100. 
Para uso na AC 44i, que funciona com dois motores, isso nos dá uma margem de segurança maior.
Mas a Soundtraxx e a Brasil Hobbies também disponibilizam o decoder Econami Eco-PNP, também com capacidade de 2A, idêntico ao Eco-200, mas no formato, dito universal ou plug and play.
O preço é o mesmo, ou seja R$ 369,90, mas esse tipo de apresentação nos dá algumas vantagens em relação os modelos com fios. 
Acabam-se os problemas com fios soltos, a não ser que nós os deixemos pendurados.
A placa, de tamanho maior distribui melhor os componentes e sua espessura é mais baixa que a outra apresentação. Além disso, poucos componentes são soldados na parte inferior da placa e sobram duas áreas livres de componentes que podemos usar para fixarmos o decoder com fita dupla face da 3M. Existem também quatro furos para fixação com parafusos, se o modelo nos der essa opção.
Podemos soldar os fios diretamente nos seus terminais, ou com ajuda de pequenos clipes de plástico, muito comuns nas locomotivas da Atlas, que padronizou esse formato, podemos fazer as ligações sem necessidade de solda na maioria de seus terminais, bastando passar a ponta do fio pelo furo no terminal e fixá-los com os clipes plásticos.
Alguns de seus terminais não nos dão essa possibilidade e teremos que fazer uso da solda, e nesse caso, um cuidado maior tem que ser tomado. O ferro de solda de ponta fina e mão bem firme para que a soldagem fique perfeita sem espalhar solda para o terminal vizinho, mas com um pouco de prática, isso é bem possível.
Outra diferença em relação ao Eco-100 é que o Eco-200 e o Eco-PNP nos fornecem mais duas saídas de efeitos e funções (FX3, FX4 + FX5 e FX6). Mais duas saídas de efeitos luminosos para serem colocadas nas nossas locomotivas, totalmente programáveis, como todas as demais. 
Nos Econami, essas funções são associadas aos botões de função F23, F24, F25 e F26, que não são acionados diretamente nos controles DCC. É necessário o uso de um botão "Shift" para que elas sejam acessadas, mas com a funcionalidade de mapeamento de funções do decoder, essas funções podem ser relocadas para qualquer um dos botões de função disponível no controle. 
Nos diagramas acima podemos ver a disposição de conexões nos três tipos de apresentação dos decoders Econami.
Outra grande vantagem é que o Econami Eco-PNP nos fornece uma fonte de alimentação com 1,5V (Ver diagrama acima), própria para o uso de lâmpadas do tipo Grão de Arroz, sem necessidade de colocação de resistores de redução da tensão, além da fonte normal de 14V (pinos 2 e 7 nas extremidades do decoder são correspondentes ao fio Azul dos decoders com fios e comuns para a fonte de 14V), própria para ligação direta de lâmpadas normais ou LEDs com seus resistores de proteção. 

Atenção - Existem dois tipos dessas lâmpadas em nosso mercado. 
As Miniatronics MIN1800110 ou MIN1800120 são lâmpadas de 1,5V com diâmetro de 1,2mm e que consomem corrente de 15mA. Estão disponíveis na BrasilHobbies por R$ 79,90 e R$ 129,90 respectivamente (o segundo modelo está esgotado neste momento)
Outro tipo de lâmpadas que podemos encontrar por aqui são lâmpadas de 2mm de diâmetro, também de 1,5V, mas com consumo de 40mA, muito alto para usarmos em uma saída que nos fornece até 100mA de limite.
Além do mais, se formos usar a alimentação de 14V, das saídas normais, o resistor de limitação de corrente terá que ser mais potente, pois a potência dissipada sobre ele ultrapassará os 250mW dos resistores normalmente usados nessas montagens que são de 1/4W.
Medi a temperatura que esses resistores apresentam quando submetidos a esse regime (1/4W  - 12,5V - 15mA) e ela chega a 50°C, uma temperatura muito alta para um resistor muito pequeno. A dissipação de potência no resistor é muito pequena devido ao seu tamanho e existe a possibilidade de que em pouco tempo ele queimará. Para esse regime, sugiro o uso de dois resistores em série, que somem o valor do resistor calculado. Com isso a tensão em cada um deles cai (pela metade, se forem do mesmo valor) e a dissipação de potência também.


Além disso, o Econami Eco-PNP já tem um conector para ligação direta do CurrenteKeeper, dispositivo que armazena energia para compensar maus contatos dos rodeiros com os trilhos.

A MONTAGEM NA FRATESCHI AC 44i

Na minha Frateschi AC 44i, nessa nova montagem, decidi retirar a placa de montagem em circuito impresso que vem originalmente na locomotiva. Essa placa tem quatro pequenos furos onde quatro pequenos pinos plásticos se encaixam e ajudam a fixá-la no suporte do motor que já vem da Frateschi. Apare esses pinos, rente a superfície da placa de plástico e teremos uma base bem estável para fixação do decoder com a fita dupla face 3M. Fixe o decoder, com a parte frontal bem rente ao início dessa placa. Os fios originais de captação de energia do truques frontais podem ser soldados nela sem problemas (observe a posição deles que deve ser idêntica nos dois lados da placa - observe que a Frateschi, de vez em quando, cruza os fios). Os fios do truque traseiro terão que ser estendidos para alcançarem o decoder e essas emendas devem ser isoladas, preferencialmente com espaguete termo retrátil, ou serem substituídos por outros, soldados diretamente nos terminais de captação nos rodeiros.
O próximo passo é a ligação dos fios dos motores. Procure não desfazer a ligação original da Frateschi, que são ligados em pares e estenda-os com mais dois pedaços de fios para alcançarem os terminais de alimentação do motor no decoder. Antes de soldá-los definitivamente, verifique se o sentido de marcha da locomotiva está de acordo com a direção mostrada no controlador DCC e isole todas as soldas com espaguete termo retrátil. Estando tudo certo os fios já podem ser soldados aos terminais do decoder, mas devem ser fixados para os lados (tem espaço entre os terminais) de modo a não aumentar a largura da placa do decoder, que já é bem crítica para encaixar dentro da carcaça da locomotiva.

LIGAÇÃO DAS SAÍDAS DE LUZES, SOM E MOTOR

Na minha montagem, optei por usar LEDs para os faróis dianteiros e traseiros e lâmpadas Miniatronics para os faróis auxiliares. Além destes, usei também uma lâmpada Miniatronic para a iluminação da cabine. 
Na montagem anterior, primeiramente havia usado lâmpadas para os faróis, mas como o brilho ficou bem abaixo do desejado, agora voltei para os LEDs.
Ainda sobre a montagem anterior, nos faróis dianteiro e traseiro, também usei lâmpadas. Um furo foi feito nos plásticos guias dos faróis e a lâmpada introduzida neste furo. O conjunto foi encapado com espaguete retrátil e o conjunto montado no local.
Nessa montagem, optei por usar os LEDs, esse furo foi removido formando uma superfície plana que foi polida e o mesmo foi feito com a lente do LED e as duas superfícies foram juntadas e o conjunto encapado com espaguete retrátil novamente e assim formando o novo conjunto de faróis para a locomotiva, desse modo a transferência de luz para o farol é bem mais eficiente.
Nos faróis auxiliares, as lâmpadas Miniatronics foram introduzidas nos receptáculos dos Ditch Lights originais da locomotiva e os fios passados pelas partes internas da carcaça da locomotiva, deixando as pontas livres para a soldagem nos terminais do decoder.
Uma terceira lâmpada foi usada para a iluminação da cabine. Um furo de diâmetro compatível foi feito na parte superior da peça clara que forma a cabine de modo que ficasse bem próximo ao teto da locomotiva. Para evitar passagem de luz pelo plástico da carcaça, foi usado fita isolante para cobrir a cabine e o conjunto montado, sem problemas,  usando as presilhas já injetadas na peça pela Frateschi.
O esquema dessa montagem pode ser visto nos diagramas e fotos acima e ao lado.

REMAPEANDO OS BOTÕES DE FUNÇÃO E AJUSTES DE CVs



A lista do mapa de funções do decoder pode ser vista na página 05 do Diesel User's Guide.
Por ela vemos que alguns botões mudaram de função, principalmente, para nós (no caso eu).
As funções F5 e F6 que normalmente, em outros decoders mais antigos eram associados a funções de luzes, neste decoder, eles são destinados a um efeito que acelera o motor sem que a velocidade atual da locomotiva seja alterada. Descrevendo esse efeito, com a locomotiva parada, por exemplo, podemos acelerar o motor até o ponto 8 (F5) e desacerela-lo até o ponto 1 novamente (F6). Mais um toque no F6, a locomotiva entra em processo de desligamento.
Se novamente acionarmos o botão F5, ela inicia o processo de partida do motor.
Esse é um recurso interessante e bem desejável para uma operação mais realista e não vale a pena ser modificado.
Podemos ver pela tabela que vários botões de função não estão ainda designadas a nada, como F10, F12, F15 a F22 e F28.
Podemos ver também que as funções das saídas FX3, FX4, FX5 e FX6, estão associadas aos botões de função F24 a F27, respectivamente, ou seja, para ligarmos a função FX3 devemos ligar a função F24. Infelizmente, os controladores DCC não têm 28 botões de funções. Para acionarmos as funções acima de F9, dependendo do controlador em uso, temos que usar uma tecla "Shift" e em seguida os números da função desejada. Isso torna a operação mais complicada do que seria desejável.
Felizmente, nos decoders mais avançados, como esse, tudo pode ser reprogramado com a ajuda dos CVs.
No nosso caso, seria interessante que, para acionarmos as funções que desejamos, ligar os faróis auxiliares e a luz da cabine, usássemos dois botões (um para cada função naturalmente) e entre os que não necessitam o uso da tecla "Shift", mas para isso, teremos que sacrificar alguma outra função já designada para os botões restantes no nosso controlador. 
Dentre as funções que temos a nossa escolha, as que seriam menos usadas seriam as funções F7 (Dimmer) e F8 (Mute). A função Dimmer (F7), abaixa a intensidade das luzes da locomotiva e a função Mute (F8), como nas nossas TVs, desliga o som momentaneamente.
Eu não vejo tanta importância nessas funções em relação as que eu quero implementar para a minha locomotiva, que são a ligação dos faróis auxiliares (ditch light) e luz da cabine, então resolvi usá-los, mudando sua utilização.
No diagrama da placa, apresentado mais acima, podemos ver que os faróis auxiliares foram ligados às saídas FX3 e FX4 e a nossa luz de cabine está ligada a saída FX5, controladas, respectivamente, pelas funções F24, F25 e F26. O que devemos fazer então é reprogramar essas saídas para as funções que desejamos.
Na página 35 do Diesel User's Guide Manual podemos ver na tabela maior (M Efect Map Registers), como podemos mudar as funções dos nossos botões de função.
A tabela maior apresenta os registros que devem ser mudados para que os botões assumam as funções que desejamos e na tabela menor (Value=Function Key), os valores que devemos colocar nos respectivos CVs para que isso seja feito, então temos que para F0 devemos colocar o valor "0", para a função F1 o valor "1" e assim por diante até 28 para F28. Os valores entre 29 e 254 são reservados e o valor 255 desabilita o efeito.
No nosso caso, queremos que a função de FX3 e FX4 (ditch lights), seja acionada pelo botão de função F8 (um só botão para acionarmos as duas saídas), então em seus registros (CVs 259 e 260) devemos colocar o valor "8" para que as duas saídas sejam acionadas pelo botão F8, ao mesmo tempo. Com isso acendemos os dois faróis auxiliares (FX3 e FX4) com apenas o apertar de um botão (F8).
Para a Luz da Cabine, controlada pela saída FX5 (registro 262) devemos colocar o valor "7" para que seja agora acionada pelo botão de função F7.
A função Dimmer, agora passará a ser acionada pela função F26 (registro 273 valor 26) e a função Mute, pela função F24 (registro 274 valor 24).

Observação Importante - Note que na tabela aparece o número "1" antes de cada CV (CV 1.257). Isso quer dizer que eles são registros indexados e dependem do valor de um outro CV ( no caso o CV 32) para serem acessados. Ainda não compreendi muito bem como isso funciona e qual a real utilidade desse processo, mas verificando o CV 32, seu valor estava "setado" para 1 e desse  modo, não houve dificuldade em realizarmos a operação. 

EFEITO GRADE CROSSING LOGIC 


Quando, anteriormente, instalei o decoder Lais DCC nessa locomotiva, verifiquei que ele também me dava a possibilidade de acrescentar um efeito bastante interessante que existia em minhas locomotivas da Broadway. 

Com os ditch lights acesos, ao acionarmos a buzina, os ditch lights piscam alternadamente enquanto a buzina estiver acionada e por mais algum tempo depois. Esse efeito é interessante pois simula uma ação real nas ferrovias. Sempre que a buzina é acionada, os faróis auxiliares começam a piscar tornando a locomotiva mais visível para quem está na passagem de nível.
Ao trocar o decoder para o Econami procurei como implementar esse efeito e o resultado não foi direto e uma leitura com mais atenção do manual ajudou muito na definição das ações necessárias para implementar os efeitos.
No decoder Lais DCC isso é feito com a ajuda da Tabela 11 na página 3 do folheto que acompanha o manual. Como é um decoder mais simples, não há muitas explicações de como isso é feito, mas no decoder Econami, o processo é mais complicado, ou seja, o processo é feito com mais etapas a serem cumpridas e/ou estudadas. 
Esse efeito é chamado de "Grade Crossing Logic". O que é isso?
Pelas regras das ferrovias, principalmente nos EUA, mas também acontece aqui no Brasil (ver vìdeo abaixo).



O trem, na iminência de cruzar uma passagem de nível, deve acionar um toque especial de buzina que consiste de dois toques longos, seguido de um toque curto e outro toque longo que deve durar enquanto a, ou as locomotivas, estiverem cruzando a passagem. Além disso, o sino também pode ser acionado, se quisermos.
Para implementarmos isso teremos que estudar como estão estruturados os CVs que controlam os efeitos de luz 
no Econami.

Na figura acima, extraída do  manual Diesel Technical Reference, podemos ver a estrutura de um CV de controle de efeitos de luz no Econami. Os CVs diretamente envolvidos no efeito vão de 49 a 54.
Um CV é composto de um registro digital (Byte) de oito Bits (nomeados individualmente de Bit0 a Bit7).
Em cada Bit (como já descrevi em outros Blogs) podem ser colocados apenas Zeros e Uns (0 ou 1) e em cada um dos Bits, eles assumem valores que variam de zero a cento e vinte e oito (0 a 128), ou seja, um "1" colocado no Bit0 assume o valor 1, no Bit1 o valor 2, no Bit2 o valor 4 e assim por diante, sempre dobrando o valor até que na posição do Bit7 seu valor corresponde a 128, como podemos ver nos valores listados abaixo da representação do registro.
Se somarmos todos esses valores acharemos o total de 255 que é o valor máximo que podemos colocar em um CV.
Podemos ver também que cada Bit tem um nome próprio, assim os Bits Zero a Quatro (Bits 0,1,2,3 e 4) são nomeados EFx, sendo x a sua posição relativa no CV. O Bit5 é denominado PHSE, o Bit6 recebe o nome de XING e o Bit7 tem o nome de LED e cada um deles colabora com uma função especial no conjunto. 
Os Bits EFx selecionam o efeito que daremos à nossa saída, descritos na tabela ao lado. 
Podemos ver que estão envolvidos cinco Bits e com esses cinco Bits podemos contar 32 possibilidades diferentes, mas só temos vinte e seis efeitos, na realidade (de 0 a 25). Valores acima de 25 até 32 não têm efeito. 
Esqueçamos por enquanto os Bits 5, 6 e 7 (valores zero para eles) e vamos nos dedicar apenas aos Bits EFx. 
Se quisermos apenas que nossa luz acenda e apague, conforme nosso comando, colocaremos no nosso CV o valor ZERO, se quisermos uma luz que possa ser regulada (Dimmable Headlight), colocaremos no nosso CV o valor 1, efeito Mars Light, o valor 2 e assim por diante, até o valor 25 para Single Flash Strobe 2. Com isso, ao apertamos nosso botão de função, F0, por exemplo, nosso farol acende a apaga, simplesmente ou apresenta o efeito que escolhemos para ele, de acordo com o valor que escolhermos no nosso CV. 
Entram em ação agora os demais Bits (5,6 e 7). O Bit6 é o que nos interessa no momento. Ele aciona ou não o efeito Grade Crossing Light. 
Se setarmos o Bit6 (colocarmos 1 em seu registro), o efeito será ligado, se deixarmos o valor 0 o efeito não  será efetuado. Então para que nossos faróis auxiliares pisquem ao acionarmos a buzina de nossa locomotiva, devemos colocar 1 no Bit6 dos CVs que acionam nosso faróis, que no nosso caso são dois CVs envolvidos (FX3 e FX4 - CVs 51 e 52, respectivamente). 
Como foi dito mais acima, ao colocarmos o valor 1 em um Bit esse "um" assume um valor relativo a sua posição dentro do registro. Como nosso 1 está colocado no Bit6 ele tem agora o valor 64 (2 elevado a sexta potência ou 2x2x2x2x2x2=64), então para ligarmos o Bit6 ou o efeito XING de nosso CV devemos somar 64 ao valor que escolhermos para nosso efeito. 
Observemos porém que no nosso caso, temos dois CVs envolvidos (FX3 e FX4 - CVs 51 e 52) mas se colocaremos o mesmo valor nos dois CVS, eles provavelmente apresentarão o efeito ao mesmo tempo e isso não é o que queremos. 
As locomotivas reais apresentam as luzes piscando alternadamente e não ao mesmo tempo. Como resolver isso? 
Entra em ação agora o Bit5, PHSE. 
O Bit PHSE determina a fase do nosso efeito. 
O melhor jeito de explicarmos isso é com um exemplo e para isso vamos usar o movimento das rodas motrizes de uma locomotiva a vapor. 
Podemos dizer que o pino que liga a roda à biela do pistão assume várias posições de acordo com o movimento da roda. Quando está em cima podemos dizer que está a zero graus, quando diretamente a frente, 90 graus, totalmente abaixo, 180 graus, diretamente para trás, 270 graus e novamente a zero graus (ou 360 graus) quando novamente está em cima. A roda do outro lado do eixo, solidariamente conectada a esta, segundo já estudei, sempre está noventa graus defasada (adiantada ou atrasada - não sei) em relação a esta. Isso se dá por motivos de construção que ainda não encontrei explicação. Antigamente eu pensava que o movimento era defasado de 180 graus, mas não é. 
Cento e oitenta graus de defasagem significa que enquanto uma coisa está acima, a outra está abaixo, se uma está para frente, a outra está para traz e assim por diante e isso nos dá o efeito oscilante, ou seja acima/abaixo, para frente/para traz, aceso/apagado e é isso que queremos para o nosso farol (um aceso, o outro apagado e oscilando defasados em 180 graus, entre si). 
O Bit PHSE determina isso. Para que um farol acenda enquanto o outro apaga, devemos dizer aos CVs que eles devem estar 180 graus defasados, um em relação ao outro e para isso devemos setar (colocar 1) esse Bit, em um dos CVs. Colocar Zero ou Um nos dois CVs ao mesmo tempo, os trará de novo para a defasagem zero entre si ou em fase. 
Como o Bit PHSE corresponde ao Bit5 do registro, seu valor relativo é 32 (2x2x2x2x2=32) então devemos somar esse valor ao CV que queremos que fique defasado em relação ao outro. Não importa qual, pois aquele que receber o valor estará defasado em relação ao que não recebeu. 
O Bit7 ou LED ainda não estudei seu efeito, mas o manual diz que serve par compensar diferenças entre luzes com Lâmpadas Incandescentes e LEDs. Não testei isso, portanto não tenho como opinar sobre o assunto. 
Ainda sobre efeitos luminosos, podemos citar os CVS 57 e 58 que ajustam a direcionalidade dos efeitos (frente e ré). Não os estudei ainda, mas seria interessante saber com  funcionam pois podem ser importantes quando tivermos uma locomotiva com ditch light nos dois passadiços e os quisermos acender de acordo com a direção tomada pela locomotiva.
O CV 59 ajusta a velocidade do efeito de piscar das luzes. Valor 0 minimo, 15 máximo. Ajuste-os de acordo com seu gosto. 
O CV 60 ajusta o tempo no qual o efeito Grade Crossing fica ativo. Interessante notar que enquanto a buzina estiver tocando o efeito está presente e após o término do efeito sonoro esse CV ajusta o tempo em que o efeito de piscar ainda estará presente. Convém ajustar esse CV também a seu gosto. 
Os CVs 61 e 62 são denominados Brightness Registers 1 e 2, mas ainda não os estudei para descrever seus efeitos. 
O CV 63 ajusta o nível de esmaecimento das luzes (Dimmer Level). Também não foi estudado ainda. 
Ainda no tópico Grade Crossing Logic, no CV 122 existe o Bit BXING (Bit7) que permite acionar também o sino durante a passagem da locomotiva pela passagem de nível. Setando esse Bit, além de psicar as luzes, o sino também começa a tocar durante a passagem da locomotiva pela PN. Os Bits 0 a 5 desse CV ajustam o tipo de sino (são 7 tipos) e seu seu ritmo (lento, meio lento, meio rápido e rápido), valores obtidoa em muma tabela no Diesel Techinical Reference. 
Podemos citar também que de acordo com o efeito escolhido, seu comportamento pode variar ao final do ciclo de funcionamento. Para o Ditch Light existem duas opções. Se escolhermos Ditch Light 1 (CV=9), ao final do ciclo de cruzamento, o efeito apaga as luzes dos faróis. Para que continuemos com eles acesos, devemos escolher o efeito Ditch Light 2 (CV=10).
Todos os dados aqui descritos podem ser obtidos com a leitura atenta dos manuais que podem ser obtidos na Internet no site da Soundtraxx. O folheto que vem com o decoder não acrescenta nada além de uma instalação básica e se quisermos fazer uma instalação personalizada, é primordial que esses manuais sejam obtidos e lidos com atenção.

Como faço parte do Grupo dos Sem Maquete, não tenho imagens dessa instalação, mas poderão ser acrescentadas a esse blog em alguma ocasião. Pretendo fazê-las ainda.

Por enquanto é só, Amigos. Espero que tenham gostado e consigam tirar algum proveito desse texto.

Até uma próxima postagem.

J.Oscar