domingo, 10 de janeiro de 2016

DESTRINCHANDO A NOVA AC-44i DA FRATESCHI - PARTE 01

Olá Amigos!

Espero que o final do ano de 2015 tenha sido bom para todos aqueles que me seguem aqui nesse Blog e que o ano de 2016 seja melhor ainda.
Para iniciarmos esse novo ano, aproveitei uma nova aquisição para a minha coleção e resolvi mostrar a transformação dela do sistema DC para o DCC que iniciei a pouco mais de uma semana atrás.
 
No dia 26/11/2015 aproveitando uma viagem que faria à cidade de Guaratinguetá para presenciar a formatura de meu filho mais novo, na Escola de Especialistas da Aeronáutica EEAR, dei uma esticada até São Paulo e visitei a loja do Ayrton, Rio Grande Modelismo, onde comprei o novo produto da Frateschi, a famosa e já no gosto popular, locomotiva GE AC-44i nas cores da MRS.
Minhas impressões iniciais e posteriores, bem como sua transformação para o sistema DCC é que pretendo descrever aqui nesse novo artigo.


Fotografia obtida no site da Frateschi Trens Elétricos.
Começando do início, cheguei a loja do Ayrton e fui recebido pelo Marcelo, seu funcionário, e lhe disse que queria comprar uma Frateschi AC-44i da MRS e ele me trouxe dois exemplares do modelo para que eu escolhesse o número que quisesse entre os dois.
Abri a caixa de uma delas para observar o modelo.
A caixa seguindo a nova padronagem da Frateschi é feita de papelão, um pouco fino, mas estável, com uma janela cortada no topo, fechada por uma folha de plástico que não permite uma perfeita visão do modelo e dentro há um suporte de plástico transparente tipo "vacuum forming" acondicionando a locomotiva, já montada, sem os corrimãos e grades frontais.
A locomotiva fica bem estável nessa embalagem e é possível que esteja bem protegida em uma remessa pelo Correio, dentro de uma caixa maior com mais alguma proteção.
Como se tem visão de um só lado, a tendência natural é pegar a locomotiva nas mãos para observarmos o outro lado e para isso precisa-se retirar a locomotiva da embalagem. Natural seria que se pegasse a locomotiva pelo seu centro, com o dedo indicador segurando pelo teto e o polegar pelo tanque de combustível e assim retirando-se a locomotiva da embalagem. mas não há como fazer isso, pois não há espaço destinado para os dedos na embalagem usada pela Frateschi e eu, ao tentar usar esse método, toquei no acabamento do tanque de combustível e este imediatamente soltou-se de sua posição.
Para encerrar essas primeiras impressões, devido a esse acidente, a escolha do número da minha locomotiva já estava feito, portanto se o Amigo quiser decidir, realmente, que número quer para a sua locomotiva, escolha-o sem tentar retirar a locomotiva da caixa.
Cinco pequenos pinos de plástico, injetados por dentro do acabamento do tanque, fixam a peça no peso de "chumbo" que compõe o tanque. Aliás, esse tanque de "chumbo" está muito bem acabado e trabalhado, um ponto a favor da Frateschi.
Dois desses pinos apresentam cola e os outros três não tem cola. Seus diâmetros são de mais ou menos um milímetro e a profundidade também é mínima e acho que pouco eficiente já que é necessário ser colado. Além disso, esses acabamentos (dos dois lados) também servem como presilhas para a grade do local, onde seria colocado um auto falante redondo de cerca de 28mm, que já está providenciado para sua instalação, se for assim desejado pelo ferromodelista em uma futura instalação de DCC com som.
Detalhe da grade do auto falante na parte inferior do tanque Frateschi.
As duas fitas brancas seguram o acabamento lateral do tanque que está solto.
Dentro desse local há também um espaçador que deve ser retirado para colocação do auto falante, mas a grade é um pouco frouxa, o que acarretará um pouco de vibração quando em funcionamento do DCC de som. Há também um furo "generoso" no centro do "chumbo" para a passagem dos fios do auto falante.
Furo para passagem dos fios do auto falante.
Pois bem, o resultado disso é que o acabamento do tanque da minha locomotiva não fica mais preso por si só e é necessário que, por enquanto seja fixado por dois pedaços de fita colante para que não se solte.
Não posso afirmar que se houvesse espaço para os dedos na embalagem vacuum forming que embala a locomotiva esse problema seria eliminado, mas seria interessante que houvessem, pois para retirarmos a locomotiva da caixa, é necessário colocar-se a outra mão sobre o lado aberto da embalagem e virarmos a caixa deixando a locomotiva cair na mão espalmada, um ponto que a meu ver, não conta muito a favor.
Sob a bolha do vacum forming vem um folheto A4 com instruções de uso, instruções para desmontagem da locomotiva, termo de garantia, endereços e um desenho em vista explodida da locomotiva e peças que a compõe. Além desse folheto, há um involucro com as grades, corrimãos, buzina, roda de freio manual e mangueiras de ar para serem colocadas no modelo, aumentando seu nível de detalhamento. Em uma primeira olhada no meu, já deu para notar que alguns dos pinos de fixação das peças há um pouco de rebarba, resultado do não fechamento total da cabeça de moldagem o que acarretará algum problema na hora de instalar os detalhes em seus lugares pois, em uma primeira instância, esses detalhes não necessitariam do uso de cola.
 

ASPECTO EXTERNO
De um modo geral, a moldagem de detalhes finos da locomotiva está muito boa, como normalmente é padrão nos modelos da Frateschi fabricados até hoje. A escala e medidas podem estar erradas e os modelos grandes para padrões mais exigentes, ou "pseudo refinados", mas a qualidade e detalhamento das carcaças, sempre é feito com bastante qualidade e precisão. A pintura geral está muito bem feita e as cores parecem estar dentro do que seria normal para os modelos escolhidos, MRS, ALL, VLI e RUMO.
Um modelo de locomotiva fabricado pela Frateschi é sempre um bom início para quem deseja entrar no Ferromodelismo, com uma boa base para modificações e detalhamentos , principalmente àqueles que estão modelando as ferrovias brasileiras.




A locomotiva, ao sair da caixa, já está praticamente montada e para finalizar a montagem basta apenas a colocação dos demais detalhes, como as grades, corrimãos, buzina, roda de freio e mangueiras.
A Frateschi ganharia muitos pontos entre seus clientes, se aumentasse o número de detalhes externos a serem adicionados pelo ferromodelista na locomotiva.
Antenas e pega mãos são moldados diretamente no modelo. Detalhes dos pilotos, frontal e traseiro, do topo do nariz e do teto da locomotiva já estão moldados diretamente no corpo da carcaça e qualquer modificação neles acarreta necessariamente uma nova pintura do modelo. A seu favor, posso afirmar que melhorou bastante o detalhamento das grades laterais e sua colocação no modelo, mais realista, conta pontos a seu favor.
Conta pontos também a texturização dos passadiços laterais e do teto da cabine, os ditch-lights "funcionais" na frente da locomotiva, mas volta a perder pontos no fato de os ditch-lights traseiros serem só enfeites. Se os da frente são funcionais, porque não dar também essa opção ao traseiros, mesmo que deixasse isso a cargo dos modelistas. Porque não?
Detalhe das inscrições na lateral da cabine.
As inscrições e logotipos estão, a meu ver, bem feitos. Na cabine, por exemplo, podemos ver a inscrição "Logistica SA" detalhada na lateral da cabine sob o logotipo da MRS, mas outras inscrições ao longo do corpo são apenas simulados com quadradinhos brancos que, a meu ver, destacam-se demais. Podiam  ter menos destaque feitos com outra cor, mesmo que não fossem precisos como os da cabine. Isso pode ser suavizado se o ferromodelista adotar o envelhecimento normal visto em locomotivas reais da MRS.
Ponto contra a Frateschi está no detalhe da lateral direita do tanque de combustível. Como é sabido, nesse modelo de locomotiva, a lateral direita do tanque de combustível acondiciona em um rebaixo, dois tanques de ar para o sistema de freios da locomotiva real.
Detalhe dos tanques de ar no acabamento direito do tanque de combustível.
Em modelos estrangeiros, esses detalhes vêm a parte e são colocados pelo ferromodelista, mas a Frateschi optou por modelá-los diretamente no corpo do acabamento, porém o fez muito superficialmente, ficando sem profundidade. Para torna-los mais realistas, um processo de pintura muito bem feito deverá ser feito ali o que seria mais fácil se os detalhes fossem destacados.
 
DESMONTANDO A LOCOMOTIVA
Para desmontar a locomotiva basta agir em duas presilhas que existem sobre o centro da carcaça, junto ao tanque de combustível. pressiona-se a lateral da carcaça para fora e ela se destaca da presilha com facilidade, sem que isso acarrete em insegurança no manuseio da locomotiva quando ela está montada. A carcaça separa-se do chassis e do motor juntamente com os engates.

Detalhes do sistema de fixação da carcaça e o chassis.

OS ENGATES
Os engates merecem uma capítulo a parte.
Desde algum tempo, a Frateschi adotou um sistema de engate onde o frontal é apenas um gancho e no engate traseiro existe também uma alça metálica móvel que faz o acoplamento com o gancho. Esse sistema não permite porém que duas locomotivas idênticas, sejam acopladas de frente uma para outra, como era possível nos modelos mais antigos. Há a necessidade de mudarmos isso e a opção é o uso de engates do tipo Kadee.
O engate traseiro fornecido pela Frateschi, tem a alça metálica e o gancho, mas ele é enorme e aumenta demais o espaçamento entre duas locomotivas acopladas através dele. Usar esse tipo de engate na frente da locomotiva para possibilitar seu acoplamento também pela frente, aumentaria mais ainda esse espaçamento.
O folheto de instrução diz que ela tem um suporte especial que permite o uso desse tipo de engate Kadee. Isso não é muito verdadeiro.
Para que isso fosse possível, seria necessário que a Frateschi fornecesse seu engate em uma caixa que pudesse ser inserida pela frente da locomotiva e que pudesse ser aparafusada ao corpo da locomotiva e seu modelo de engate com gancho e alça pudesse ser substituído diretamente pelo tipo Kadee. Isso não acontece.
Está mais do que na hora da Frateschi pensar em uma solução desse tipo, pois não mudaria a compatibilidade entre modelos novos e antigos e seria muito mais fácil a adaptação de engates tipo Kadee em seus modelos. Do jeito que é feito atualmente a compatibilidade total de seus modelos com o engate do tipo Kadee só existe na cabeça dos que o projetaram.
O engate padrão da Frateschi tem uma mola plástica dupla que o centraliza na posição central e um acabamento plástico com um pino central, encaixa-se sob pressão em um furo no corpo da locomotiva, fixando o conjunto, mas a caixa do engate Kadee não é compatível com esse sistema.
O Kadee Nº5, a opção mais conhecida pelos nossos ferromodelistas, não funciona bem sem sua caixa padrão e ela não pode ser usada nesse caso. Resta então usar apenas a mola centralizadora do Kadee e o engate propriamente dito, mas isso também não funciona bem. Primeiro a mola fica pequena para a largura do espaço destinado a ela no piloto e no acabamento plástico de fixação ela fica dançando junto com o engate, não o centralizando como seria sua função. Além disso, no meu modelo, para que o sistema ficasse fixo no local é necessário que a pino plástico de fixação do conjunto do engate seja bastante pressionado no local prendendo por isso o movimento lateral do engate.
Além do mais, o espaço entre o truque e a fixação do engate é menor na traseira do que na frente. É necessário que essa caixa de fixação do engate tenha o fundo arredondado para dar mais espaço de jogo ao truque traseiro. A Kadee tem esse tipo de caixa e também existem engates tipo Kadee com mola incorporada ao corpo do engate o que eliminaria a necessidade da mola metálica do Kadee Nº5, liberando espaço para uma melhor fixação do pino fornecido pela Frateschi.
Na minha opinião, o ferromodelista deve optar por uma caixa com o engate que seja inserida pela frente do piloto e fixada por parafuso no corpo da locomotiva. Essa caixa também pode dar mais detalhes ao acabamento do piloto que é meio pobre.
 
O INTERIOR
Separados o chassis e a carcaça, podemos ver o mecanismo interno da locomotiva. Dois motores garantem um desempenho satisfatório da locomotiva, se bem que muitos ferromodelistas relatam um nível excessivo de ruído no motor.
Na minha opinião isso acontece mais quando tenta-se usar as locomotivas  da Frateschi como carrinhos de autorama. Em baixas velocidades, mais compatíveis com o movimento normal do trens verdadeiros, o nível de ruído dos motores é bastante tolerável nas locomotivas com apenas um motor. Ainda não tive oportunidade de testar isso em locomotivas equipadas com dois motores como esse modelo.
Os dois motores são independentes um do outro, mas como giram para o mesmo lado, estou pensando em acoplar um ao outro para ver se isso melhoraria o seu desempenho, pois os dois girariam sempre em conjunto. Se isso não acontecer, basta retirar o acoplamento que volta tudo ao normal.
Detalhe do interior da locomotiva com seus dois motores, a placa de circuitos com o decoder Leis DCC já instalado. 
Sobre os dois motores, uma placa de circuito impresso faz a ligação dos fios de alimentação, vindos dos truques, indo para os motores e suportam e alimentam os Leds das luzes dianteira e traseira. Apenas um resistor de 1000Ohms limita a corrente dos Leds já que os dois atuam alternadamente, em oposição entre si, acendendo conforme o sentido de marcha da locomotiva, para frente ou para traz.
Para iluminação dos faróis traseiros, uma peça de plástico transparente guia a luz do Led traseiro até os pinos que preenchem o local dos faróis.
Para  a frente da locomotiva, um sistema mais complicado foi projetado pela Frateschi. Para os faróis e a janela da porta do nariz existe um pino semelhante ao traseiro. Sob a cabine, um outro pino recebe luz do Led e a direciona também para duas finas extensões, que são ligadas aos ditch light por baixo do passadiço dianteiro. Para os ditch light traseiro não existe iluminação.
Detalhes das peças do interior da cabine os pinos de iluminação dos faróis e os ditch lights.
O interior da cabine é detalhado com uma estrutura com a figura do maquinista na direita, uma representação do painel a sua frente e um lugar vago a sua esquerda. Os vidros da cabine são acoplados a essa estrutura e a fixam a armadura das janelas por protuberâncias que se encaixam nos locais dos vidros. Infelizmente o guia de luz sob a cabine, fez com que aparecesse uma protuberância arredondada no centro da cabine que mais parece a simulação de um motor de caminhão entre os assentos da cabine nos dois lados dela.
O detalhamento da cabine e os vidros se acoplam em uma estrutura única que se encaixa sob o teto da cabine da locomotiva. A meu ver isso prejudicou o detalhamento dos vidros dianteiros. Para que o sistema se encaixasse sem problemas as protuberâncias que formam os vidros ficaram muito baixas, principalmente nos vidros frontais que tem entalhados neles os limpadores de para brisas. Como as colunas da cabine ficaram muito grossas os vidros dianteiros estão muito fundos, prejudicando o detalhamento dos limpadores. Parte deles é modelado na testeira da cabine e o aspecto final ficou pobre. Fazer as colunas da cabine mais finas e os vidros frontais mais protuberantes, melhoraria em muito esse aspecto.
As partes da carcaça separados entre si.
O passadiço, o corpo longo e a cabine são destacáveis entre si. Também pode ser destacado o acabamento do radiador traseiro. Pontos positivos e negativos podem ser vistos aí.
Na frente, na cabine, a engenharia está elogiável. As soluções empregadas estão boas e dão um acabamento muito bom ao conjunto. A fixação do guia de luz para os ditch light, a fixação da cabine a carcaça do corpo e todo o conjunto ao passadiço foi bem projetada e está justa e não deixa frestas exageradas. Dois pontos com pingos de cola dão segurança aos conjunto. Um terceiro ponto poderia ter sido colocado. Parece ter sido previsto no corpo da carcaça, mas não foi feito no corpo da cabine. Se tivesse sido feito, talvez nem precisasse de cola para fixação da cabine.
Detalhes do radiador.
O mesmo não se pode falar do acabamento do radiador traseiro. Em modelos importados em que já tive oportunidade de olhar, existe uma abertura nesse local e o acabamento superior do radiador  é usado para fechar essa abertura. Ali, pode-se colocar um auto falante retangular com baffle, que pode ser acessado com a retirada do acabamento do radiador. Com mais detalhamento, a grade do radiador pode ser vazada e isso ajuda a transmissão do som para fora do ccorpo da locomotiva.
Talvez por já prever o auto falante redondo, localizado no tanque de combustível, possivelmente a Frateschi não tenha achado interessante também prever essa abertura no radiador traseiro e assim  o acabamento do radiador é fixado por dois pinos plásticos postos em uma superfície fechada e para uma melhor fixação, um deles está colado e a tentativa de  sua retirada ocasionou a quebra desse pino colado. Uma solução mais positiva, a meu ver, seria colocar pequenas travas no acabamento do radiador que se prenderiam a placa traseira do radiador e no corpo da locomotiva na parte da frente.
 
DCC
Qual seria meu motivo para destrinchar desse modo a nova AC-44i da Frateschi?
Vemos na Internet muitos filmes e tutoriais de locomotivas já com decoders instalados, mas normalmente isso é mostrado já finalizado e alguns, apesar de muito bem feitos, não dão ideia do que seria necessário fazer para conseguir a sua instalação. Na própria loja do Ayrton quando comprei a minha, o Marcelo colocou para funcionar um modelo já equipado com decoder de som
Colocar um DCC, seja de motor e luz, seja de som na AC-44i é até bastante fácil. Espaço tem de sobra. Os dois motores, que poderiam ser um empecilho pela possibilidade de um excessivo consumo de corrente dos motores, também não é problema, pois eles consomem muito pouco e ficam confortavelmente dentro da capacidade da maioria dos decoders, até os mais simples como Lais DCC. O uso de Leds pela Frateschi também permite uma baixa demanda de corrente das saídas de acessórios dos decoders.
O grande problema dos Leds usados pela Frateschi é que eles são muito fracos em sua luminosidade e o sistema de guia de luz construído por ela, apesar de engenhoso, pela qualidade do material utilizado, deixa muito a desejar. O plástico usado é de baixa qualidade, baixa transmissão de luz e a injeção dele nas formas necessárias, deixa bolhas em seu interior o que ajuda em muito a piorar o desempenho do sistema.
Uma saída seria usar Leds de alto brilho, mas isso também não solucionaria muito o problema, devido a posição dos componentes e sua qualidade. Aliás, pessoalmente, não gosto de Leds azuis ou brancos em ferromodelismo. Prefiro os amarelos como os da Frateschi, mas precisam ser de alto brilho.
Como pode ser visto pelas fotos já mostradas acima, coloquei um Lais DCC na minha AC-44i e os resultados foram muito bons, exceptuando-se os faróis e ditch lights que ficaram muito fracos.
A performance dela nos  trilhos foi perfeita e com as características de fábrica, pois ainda não mudei nada na programação do decoder.
Como resolver esse problema de iluminação dos faróis e ditch lights?
Pensei então em usar lâmpadas tipo Grão de Arroz de 1,5V e 1,2mm de espessura.
Essas lâmpadas podem ser inseridas facilmente nos furos já existentes para os faróis e como já as testei, agora que desmontei a minha AC-44i, também encaixam perfeitamente nos furos para os ditch lights, então, porque não usá-las?
Para os faróis, a princípio, vou ainda continuar usando os pinos plásticos originais da Frateschi, que serão trabalhados para melhorar seu desempenho. Pretendo encurtá-los e fazer um furo em seu interior e ali colocar as lâmpadas inseridas. Pintar seu exterior de preto ajudará a não dispersar a luz para fora do sistema. Não dando certo esse método, pode-se inserir as lâmpadas diretamente nos furos dos faróis. 
Serão usadas lâmpadas 1,5V - 15mA - 1,2mm de espessura fabricadas pela Miniatronics (#18-001-10) a venda no site da BrasilHobbies por R$ 79,90 (setenta e nove Reais e noventa centavos) o pacote com 10 lâmpadas.
Lembrem-se que os muitos decoders, como o Lais DCC, só tem saída de tensão alta (12 a 14V) próprias para uso de lâmpadas de 12V e Leds, com resistor de limitação de corrente, Para lâmpads do tipo grão de arroz, assim como nos Leds, é necessário abaixar essa atenção com o uso de um resistor de limitação.
É necessário saber qual o valor da corrente que a lâmpada solicita. Existem outras lâmpadas desse tipo que puxam cerca de 40mA, para os mesmos 1,5V de alimentação, é necessário saber exatamente que tipo de lâmpada você estará usando no teu projeto.
Cuidado, pois para cada tipo, terá que ser calculado um valor para o resistor de limitação. As lâmpadas da Miniatronics são menos brilhantes, mas solicitam apenas 15mA para acenderem.
Para o cálculo do resistor é necessário saber qual o valor da corrente que a lâmpada que será usada solicita. Use uma pilha nova e com a ajuda de um Amperímetro, meça a corrente que passa pelo circuito.
A seguir, verifique a tensão fornecida pelo decoder que você vai usar e diminua desse valor os 1,5V da lâmpada e divida o resultado pela corrente obtida com o amperímetro para a lâmpada que será usada. Isso dará o valor do
resistor que deverá ser usado para cada lâmpada.
Se tiver que usar mais de uma lâmpada para uma mesma saída, é mais interessante usá-las em série e para isso, basta somar a tensão das lâmpadas usadas (2x1,5V=3V) e diminuir da tensão fornecida pelo decoder e dividir pela corrente que será igual para as duas lâmpadas (15mA) e obter o valor do resistor a ser usado como limitador.
Se  optar por usar mais de uma lâmpada em paralelo, a tensão ser diminuída do valor do decoder é 1,5V, mas a corrente sobre o resistor de limitação deverá ser multiplicada pelo número de lâmpadas usadas.
Divida a  tensão resultante pelo valor obtido para a corrente e obtenha o valor do resistor. Você, normalmente, não encontrará no mercado o valor exato do resistor que foi calculado, pois o mercado de resistores tem valores específicos e não há a disposição valores entre esses valores determinados. Para o resistor a ser comprado, escolha sempre um valor comercial acima do valor obtido no cálculo, nunca um valor mais baixo. E sempre mais seguro.
Lembre-se que agora a corrente sobre o resistor será maior para um mesmo valor de tensão sobre ele, assim a dissipação de potência sobre o resistor será maior e deverá ser calculada multiplicando-se a tensão sobre o resistor, pelo valor da corrente que passa por ele (P=VxI).
O resistor a ser usado deverá ser adequado para esse valor de potência.
Deverá ser calculado um resistor para cada saída, de acordo com a quantidade e a configuração de associação de lâmpadas a ser usada no circuito.
Como os valores de corrente são relativamente baixos a potência necessária para os resistores dificilmente ficará acima de 1/4W para o uso de uma lâmpada, mas é interessante saber exatamente esse valor. Com mais lâmpadas para cada saída e principalmente, de acordo com a configuração usada, se em série ou em paralelo, esses valores poderão mudar para cima ou para baixo e isso tem que ser calculado com antecedência para não danificar o decoder, ou as lâmpadas, ou até mesmo o plástico da carcaça, pois uma dissipação muito grande de potência em um resistor, pode fazê-lo esquentar a ponto de derreter o plástico da carcaça da locomotiva se encostar nele.
Perguntam sempre o porquê do Ferromodelismo ser tão empolgante. Esse é um motivo. Para praticá-lo com plenitude, muitas outras ciências deverão ser aprendidas e usadas em nossas montagens e transformações.
Como sempre, ao iniciar um artigo para esse Blog, eu penso em termina-lo em um único artigo, mas conforme vou escrevendo os assuntos vão se sucedendo e normalmente um novo artigo sobre o assunto deve ser feito para complementá-lo.
Assim fica faltando mostrar na prática como todos esses detalhes serão colocados na locomotiva e continuar a descreve-los aqui tornaria o artigo muito longo e cansativo (se é que já não está), então vou terminando por aqui e voltaremos a tratar desse assunto em um próximo Blog que estará sendo escrito assim que eu terminar de fazer a instalação dos detalhes descritos acima.
Até a próxima postagem.
 
Saudações
J.Oscar

6 comentários:

  1. Prezado José Oscar,
    Em seu trabalho "Destrinchando a AC44i da Frateschi" só temos a elogiar toda a descrição do trabalho, sendo muito bem elaborado e de uma precisão correta.
    Meus parabéns,
    Kléber N.Ângelo

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  2. Prezado José Oscar,
    Em seu trabalho "Destrinchando a AC44i da Frateschi" só temos a elogiar toda a descrição do trabalho, sendo muito bem elaborado e de uma precisão correta.
    Meus parabéns,
    Kléber N.Ângelo

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  3. Prezado Oscar,
    Discordo, respeitosamente, de algumas de suas observações, principalmente em relação à instalação de engates Kadee nesta locomotiva. Faço algumas considerações em relação a este tópico em:
    http://www.minhaferrovia.com.br/?p=2207
    Saudações,
    Luiz Augusto Pelisson.

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    Respostas
    1. Prezado Pelisson
      Não vejo nenhum problema em você discordar das minhas opiniões publicadas em meu Blog. Pode discordar a vontade delas e se permita a publicá-las aqui, sempre que achar necessário.
      Porém, depois de ler o seu Blog, não vejo em que houve discordâncias. entre nossas opiniões.
      De uma maneira geral concordamos em substituir o engate original por um engate mais real e isso é o engate tipo Kadee.
      Eu usei o engate Kadee Nº5, que era o que eu tinha em mãos e este não funciona a contento, como escrevo em meu Blog. Você usou outro modelo de engate Kadee, este sim mais adequado ao tipo de montagem na locomotiva, pois não precisa da mola de centralização extra que o Kadee nº5 solicita e que nos meus testes não funcionou direito, pois o uso dessa mola aumenta a espessura do engate e o sistema de fixação usado pela Frateschi, pelo menos no meu caso, não deixa espaço para que o engate tenha movimento lateral.
      Não sei, pois não testei, se no teu caso isso aconteceu, mas creio que não.
      Na minha opinião a Frateschi deveria fornecer uma caixainha onde, além do tipo de engate fornecido por ela, pudessem ser adaptados quaisquer outros tipos de engates de outros fabricantes.
      A Atlas tem esse tipo de acabamento e usa o mesmo sistema de fixação da Frateschi, ou seja, um pino que segura a caixinha junto ao chassis.
      Além do mais, essa caixinha poderia enriquecer detalhamento da frente da locomotiva, que não só aquele buraco, sem qualquer tipo de acabamento.
      Obrigado por sua opinião e parabéns pelo teu Blog.
      Saudações
      J.Oscar

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  4. Boa tarde,

    muito interessante seu blog. Eu a três dias adquiri uma caixa basica da frateschi e estou muito animado. Porém, concordo com vc no tocante a luz da locomotiva, ela é muito fraca. Este com certeza será meu primeiro upgrade, colocar uma luz mais forte.

    Um abraço.

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  5. Olá amigo,parabéns pelas dicas. Li seus comentários sobre a AC da Frateschi, e faltou dois pontos negativos (ao meu ver), 1º o tanque está muito baixo e qualquer desnível nos trilhos, a maquina trava, e o 2º ponto, eu usei o engate Kadee #118 (sem a caixinha) e a altura ficou bem abaixo dos outros engates e o #118 não engatava com o outro #118. Tive que "limar" a abertura do engate no limpa trilho para dar a altura dos dois lados e o problema foi resolvido.

    Atenciosamente

    Mariel Barbosa de Almeida.

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